Um olhar à Volta – Prólogo

Começou com um Prólogo em Fafe, com a extensão de 7 Kms, a Edição Especial 2020 da Volta a Portugal. Um Prólogo muito bem desenhado, onde não faltaram todos os ingredientes em termos de percurso, para que este início de prova fosse bastante interessante em termos competitivos. Um percurso com algumas partes técnicas a obrigar a uma grande concentração por parte dos ciclistas, algumas subidas a obrigar a usar, e bem, as pernas e uma parte final de cerca de 320 metros numa ligeira subida em paralelepípedo, para dificultar a vida aos ciclistas. No ponto de vista de organização pareceu-me irrepreensível. A limitação de público na partida e na chegada e durante o percurso sem grandes aglomerações, com a GNR e uma Empresa de Segurança a controlarem, e bem, os ímpetos do povo.

Pareceu uma prova sem entusiasmo, mas é ilusório, porque o que faltou como habitualmente, foi o público que é o sal e a pimenta das provas de ciclismo de estrada. A maioria das pessoas guardou uma boa distância social e a maioria também estava com máscara. O início do Prólogo também foi diferente, já que desta vez não havia o apoio do ciclista na partida o que obrigou a que muitos tivessem tido alguma dificuldade com o encaixe do pedal.

A W52 / F C do Porto, tal como se esperava, era a formação com melhores especialistas: Samuel Caldeira, Daniel Mestre, João Rodrigues e o veterano Gustavo César Veloso, habituados a vencer Prólogos em edições anteriores, dominaram por completo o top ten. O galego da W52/FCP com 40 anos e já com 11 Voltas a Portugal no seu curriculum, não deixou fugir por apenas 1 segundo, o sabor de vestir a primeira camisola amarela da prova. A boa prova já esperada de Rafael Reis, um ex-W52/FCP, que faz segundo e uma excelente prova de Daniel Freitas o corredor de 29 anos da Miranda/Mortágua que faz o quarto melhor tempo com apenas mais 4 segundos. No top ten, Joni Brandão da Efapel ficou a 7 segundos, que lhe devem ter custado a vitória numa desatenção no trajecto, e em plena subida, que o obrigaram a perder a concentração e o embalo que levava. Sem esse percalço, não sabemos se Joni Brandão não envergaria ele a amarelinha. Outro ciclista que se enganou no percurso foi o espanhol, Ángel Sánchez da Miranda/Mortágua que na última curva antes da meta, entrou no desvio das viaturas e perdeu uma serie de segundos com essa manobra de ter que voltar a montar a bicicleta e retomar o percurso da prova.

Quem nos pareceu insatisfeito no final do Prólogo foi o vencedor do ano passado, João Rodrigues, que abanava a cabeça de insatisfação. Não sabemos a que se deveu esse gesto. Outro gesto que me comoveu foi saber que Luís Mendonça teve a sua participação em risco porque o seu pai foi acometido de uma doença súbita e está em estado grave a horas antes do início da prova. Quero em nome do Jornal Ciclismo desejar as melhoras ao pai do corredor da Efapel.

Na Classificação Geral e nos 10 primeiros, temos então quatro ciclistas da W52/FCP já mencionados. Da Efapel, o realce também para a prova de António Carvalho que fez 5º e a um segundo mais do que o desconcentrado Joni Brandão, seu colega de equipa. A Feirense com o 2º lugar do especialista Rafael Reis e a boa prova de Daniel Reis, já mencionada, A terminar o top ten, em 9º lugar,o corredor Christophe Noope, belga da Arkéa/Samsic e a fechar o top ten, o espanhol Vicente Garcia de Mateos, da Aviludo/Louletano. De resto, os favoritos à Geral não perderam assim tanto tempo que possa de alguma comprometer para já a sua participação. Ainda há muita estrada e muitas oportunidades, principalmente para os escaladores, de recuperarem os segundos que perderam hoje. O facto de não haver bonificações nas metas volantes e nas chegadas, faz com que as contas sejam mais boas de fazer a todos os ciclistas porque os tempo que valem serão os que serão contabilizados em cada final de etapa. A perceção que se teve quanto ao estado do ponto de vista físico dos principais nomes do pelotão, é que estão suficientemente preparados para os 9 dias de prova.

A etapa de amanhã, terá como partida a vila de Montalegre no Alto Tâmega, rumo ao Alto de Santa Luzia na cidade de Viana do Castelo. Os ciclistas terão que percorrer 180 kms na mais extensa etapa da prova.

Jorge Garcia