Etapa Zero

Não é, mas parece este o ano zero da Volta a Portugal. Uma Volta difícil de colocar na estrada, marcada pela zona zero, pelas máscaras, pelos testes a tudo, por um tempo diferente, embora a Volta já tenha sido disputada em Setembro, mas há muitos anos.

Apesar das dificuldades, a Volta, a nossa Volta, arrancou em Fafe, não negaremos, com alguma emoção. David Rodrigues (RP-Boavista) foi o primeiro na estrada, uma estrada de incertezas, mas que todos desejamos sejam certezas no dia 5 de Outubro, em Lisboa.

Hoje, não poderemos deixar de dar uma palavra de sincero conforto a toda a selecção de Sub-23, recheada de bons valores e que foi impedida de participar naquela que seria a estreia na Volta de alguns dos ciclistas que marcarão o futuro da modalidade.

Enfim, quanto a isto, medidas sanitárias, daquelas que já nos cansam, mas sobretudo com regulamentos e opções discutíveis. Fiquemos por aqui, porque agora precisamos é de paz. Acima de tudo, rapaziada, não desmoralizem. Estes momentos também vincam a carreira de um corredor e distinguem os de sucesso dos outros.

Pela Volta, Veloso, como de certa forma era esperado entrou forte. Venceu. Marcou presença. Deixou algum dissabor ao Feirense, que procurava a amarela, e ao Rafael Reis, por certo naqueles momentos em que ficamos a pensar que nos faltou apenas um “danoninho”.

A armada azul, da W52, não defraudou. Quatro ciclistas nos dez primeiros, incluindo o vencedor do ano anterior, João Rodrigues. Mas também a Efapel, mesmo com o deslize do Joni Brandão, mostrou que quer discutir a Volta. Também não seria de esperar outra coisa. António Carvalho, mostrou-se no prólogo. Só as restantes etapas nos dirão o que esperar, verdadeiramente, deste ciclista.

É certo que alguns ciclistas nunca foram especialistas neste tipo de esforço, mas também não deixará de ser verdade que, apesar de já o anteverem, arrancam amanhã em desvantagem, que não é considerável, mas já faz mossa. Assinala-se aqui, por exemplo, Frederico Figueiredo, do Tavira, recente vencedor do GP Torres Vedras.

Foi apenas o primeiro dia que se esperam completo por mais oito duros, e mais decisivos dias. Com mais incidências e com mais substância.
E porque a Volta não se faz só de ciclistas, também faremos um reparo à RTP, ilustre aliada do ciclismo desde sempre. No gráfico das classificações gerais (dez primeiros) já nos chega a bandeira com a nacionalidade do corredor. Não há necessidade de reforço das letras indicadoras da nacionalidade, ao invés do que sucedia em anos anteriores, se bem me lembro. À semelhança desses anos, seria bem mais útil, nesse posto, o código da equipa. Até eu, que costumo ser atento, dei por mim várias vezes, antes do Veloso, naquela fracção de segundos, a pensar que os primeiros eram todos do Porto (POR). Mas não, eram todos confirmados portugueses.

E também é preciso não esquecer que dentro da normalidade no código da equipa está a referência aos patrocinadores. Obriga-nos a puxar pela memória dos patrocinadores, e eles gostam! Enfim, podem ser preciosismos, mas é a minha observação.
Luís Gonçalves