Temos Volta à nossa volta

Começa amanhã, em Fafe, a 82ª Volta a Portugal, a «Grandíssima», ou se preferirem a 1ª Volta a Portugal Especial. Especial porque todos sabemos a causa. Especial porque foi possível num curto espaço de tempo a Federação Portuguesa de Ciclismo ter conseguido pôr de pé uma competição que já tem os seus pergaminhos a nível nacional e internacional e que estou certo vai ser muito, muito competitiva. Podem muitos pensar que a Federação se empenhou em ser ela a organizar uma Volta a Portugal porque temos eleições na Federação à porta. Sinceramente a hora não é de pensarmos em interesses e de ajustes de contas. A hora é de estarmos orgulhosos pelo imenso trabalho que deu a dezenas de pessoas que unidos pela mesma paixão pelo ciclismo como a nossa trabalharam quase diria dia e noite para que tivéssemos a nossa Volta a Portugal. Muitos países não puderam ter a sua Volta. Nós vamos ter porque somos Portugueses porque quando queremos e nos unimos, conseguimos proezas incríveis. A nossa história desportiva está cheia de sucessos.

Também não é para defender ou atacar pessoas que estou aqui a escrever a crónica diária que me comprometo a fazer de uma forma independente e rigorosa para os nossos fiéis leitores que diariamente nos procuram para estarem informados sobre tudo que se passa no ciclismo nacional e internacional. Por ser independente quero agradecer sinceramente o esforço que a F.P.C. e todos os patrocinadores desta Volta a Portugal em nome dos ciclistas, das equipas e dos seus sponsors, o continuarmos a ter pelas estradas portuguesas a nossa Volta. Um agradecimento enorme, como não poderia deixar de ser, às Autarquias que num gesto de boa vontade não viraram as costas à modalidade na hora em que Delmino Pereira e a sua equipa e mais ao Joaquim Gomes que mais uma vez vai dirigir esta Volta.

Em termos competitivos a ver pelas etapas, temos uma prova para todos os tipos de ciclistas, desde para os muito rápidos com um Prologo a abrir e um Contra-relógio a encerrar a prova que pode ou não decidir o vencedor da prova. Temos a Senhora da Graça e a Torre. Vamos ter, estou certo, segurança e disciplina ao longo das estradas.

O pelotão será composto por cinco equipas ProTeams de renome, como é o caso da francesa Arkea-Samsic, que traz a Portugal uma equipa vocacionada para os sprints. A espanhola da Burgos com uma fortíssima equipa para a montanha. A Caja-Rural já habitué nas nossas provas, vem de Espanha e participa com uma equipa todo o terreno. A francesa da Nippo-Delko também vem à nossa prova com o intuito de ganhar etapas. Por fim a americana Rally Cycling que pode surpreender em todos os terrenos e que acabou em segundo lugar por equipas no recente GP Internacional de Torres Vedras. A nível nacional, nove equipas Continental Teams. À ultima da hora a Seleção Nacional sofreu um revés insanável e infelizmente não vai estar presente. Seria uma ótima oportunidade para vermos em ação as nossas promessas para o futuro.

Temos um pelotão com perto de 100 ciclistas para competirem em oito etapas e um curto Prologo a abrir em Fafe com 7 Kms. A primeira etapa ligará Montalegre a Viana com a espetacular chegada ao Monte de Santa Luzia, ao fim de 180 Kms. No dia seguinte o pelotão sairá de Paredes e vai terminar no icónico Monte Farinha ou Senhora da Graça, em Mondim de Basto, como preferirem, ao fim de uns exigentes 167 Kms. Na quarta-feira, dia 30, a comitiva sairá de Felgueiras e percorrerá 171,9 Kms até Viseu. A etapa rainha será no dia seguinte com a partida da Guarda e subirá à Torre ao fim de 148 Kms. A 5ª etapa ligará Oliveira do Hospital a Águeda com 176,3 Kms para percorrer. As Caldas da Rainha verão sair a comitiva até Torres Vedras num total de 155 Kms. No domingo os ciclistas saem de Loures em direção a Setúbal nuns competitivos 161 Kms. Na segunda-feira teremos o Contra-Relógio Individual de 17,7 Kms que pode ou não decidir a 82º Volta a Portugal.

Se o nosso leitor quiser acompanhar a passagem do pelotão tenha em conta que terá algumas restrições para ver passar o pelotão. Mesmo assim, peço-lhe que seja responsável, siga as instruções da organização e tenha em atenção a sua margem de segurança e não se esqueça de levar a sua máscara e mantenha-a bem colocada em todo o tempo que tiver a ver a prova. Se preferir e quiser colaborar com todos, fique em casa a ver a transmissão pela RTP.

Estou convencido que iremos ter uma excelente Volta a Portugal, mais curta, sem descanso dos guerreiros e promete ser competitiva. Vá por mim!

Jorge Garcia