E Evenepoel ficou em casa…

Será justo e equilibrado andar dezanove dias a lutar, tentando ganhar alguns segundos, sofrer nas montanhas, arriscar nas descidas, durante quase três mil kms, para tudo se resolver em apenas, um dia, uma hora e pouco mais de trinta kms ?

A questão tem vindo a ser colocada com alguma oportunidade pelos principais organizadores, que já se aperceberam das discrepâncias resultantes dos tempos ganhos por uns e perdidos por outros ciclistas, que tornam as suas provas desequilibradas e pouco interessantes. Por acaso neste Tour, Pogacar não se remeteu apenas no seio do pelotão, acompanhando os principais movimentos na roda, não ele foi um dos mais ativos ao longo deste Tour, mas o seu C/R para além de ter sido uma obra de arte, teve o condão de, mais uma vez, beneficiar em demasia os especialistas na área.

Roglic poderá ter tido um dia mau, o equipamento utlizado não terá sido o melhor, em especial aquele capacete, totalmente desencaixado na sua cabeça, mas o mérito ninguém lhe pode tirar. Sofreu, atacou nos momentos certos, nunca deu uma imagem de desfalecimento ou de fragilidade. Poderá ter tido um mau dia : ” Não sei o que aconteceu com o Roglic, tinha uma pedalada desconcertante, não era redonda” – palavras de Van Aert, no final.

Na verdade, em 21 dias terá bastado um mau dia, para Roglic perder o Tour. Pogacar é melhor no C/R mas uma diferença tão grande não era previsível, mais a mais com uma chegada na Planche des Belles Filles, onde em circunstancias normais, Roglic não perderia tempo. O drama voltou ao Tour, e será muito difícil, nos anos próximos alguém com trinta anos vencer o Tour. Para além de Pogacar, recordemo-nos que Remco Evenepoel ficou em casa. Como seria este Tour se estivessem os dois em compita ?

4 thoughts on “E Evenepoel ficou em casa…”

  1. Sendo leitor habitual destas páginas e agradecido ao espetáculo de ontem, quero só deixar este comentário: como amante do ciclismo e adepto do desporto em geral, todavia cada vez mais desiludido com a nossa liga futebolística, perante a grandiosa página ontem escrita no mais relevante evento desportivo do momento, como é possível, uma vez mais, os jornais “desportivos” nacionais não terem qualquer referência ao Tour. Lamentável!

  2. o fato do roglic era exatamente igual ao do pogacar. era da marca lecoqsportif fornecida pela organização a quem usa uma das camisolas de líder das classificações da corrida.

  3. Quer isto dizer que um CR de 30km com uma 1cat é muito para uma volta de 3 semanas? Cá eu acho muito pouco. E não, o Pogacar não é melhor que o Roglic no CR. Foi ontem. Foi um misto de vontade de ganhar, superação, condição fisica e um dia um pouco menos bom do Roglic e que viu a pressão subir ao longo da etapa. Mas em 10 o Roglic ganha 8 ao Pogacar.
    Acho que passamos do 8 ao 80, no início dos anos 2000 e anos 90 havia um CR por equipas de 50/60km e dois individuais de 50+/-. Sem isso o Indurain não tinha ganho 5 tours certamente e o Wiggins tenho muitas dúvidas tal como o Evans. O CR é a prova da verdade e beneficia o individual em detrimento da equipa, é onde os grandes corredores que não têm uma grande equipa podem fazer a diferença. Senão andam os líderes tipo Roglic com uma armada indestrutível atrás e ganham a seu belo prazer como ia acontecendo neste Tour. E sim o CR pode dar espetáculo e muito, como ontem se viu.

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