Olhar sobre Torres Vedras

O Tour domina quase tudo. Num ano condensado que o digam as corridas italianas. Mesmo as grandes corridas italianas, como o Tirreno-Adriático, que quase nos passaram ao lado. Por isso mesmo mudemos de ares.
E como em Portugal vai existindo ciclismo, embora num modelo de subsistência, mas vai existindo, e porque no próximo fim de semana teremos o GP de Torres Vedras, nessa homenagem permanente ao grande Joaquim Agostinho, rumemos a 2003, em Torres Vedras.

Ora, nesse ano de 2003, o vencedor da geral, foi Fabian Jeker, da Maia. Ele que já tinha vencido etapas em Torres Vedras, anos antes, então representando a imponente Festina.

Mas nesse ano passou por cá um jovem então com 23 anos, que foi terceiro da geral, e levou duas etapas para casa. Um jovem, que cada vez parece mais jovem, chamado Alejandro Valverde.

O espanhol estava então na Kelme-Costa Blanca, equipa mítica dos anos noventa espanhóis, comandada pelo não menos mítico Vicente Belda. Equipa, sempre associada, ao destemido trepador Fernando Escartín.
Em 2003, por lá andava também Oscar Sevilla, que ainda dá bem conta do recado, e um tal Constatino Zaballa (que correu também em equipas portuguesas) que andou uns dias de amarelo na nossa Volta 2001, após vencer a primeira etapa com término em Odivelas e início em, Torres Vedras. A Volta de 2001, com aquela célebre e longa etapa entre Tavira e Évora que rendeu ao Pedro Martins (Gresco-Tavira) a vitória e a amarela (por um dia). A Volta 2001 que Fabian Jeker venceu.

O GP Torres Vedras já não tem o perfil que tinha em 2003. Não tem este ano, por razões óbvias, mas também já não tinha em anos próximos anteriores. Continua a ser uma das mais importantes e históricas competições nacionais e assim deve ser tratada. E essas competições merecem dignidade, de quem organiza, e para quem participa.
Nos tempos que correm é bom existir GP Torres Vedras, mas não é menos importante que nunca se esqueçam da importância que a prova tem.
Apesar do regime de subsistência aí está um bom punhado de equipas, nomeadamente espanholas. Nunca se sabe se, mesmo em ano de mingua, não nos aparece por cá outro Valverde. Ou então não. Cá por nós, Valverde só há um.
Luís Gonçalves