Tour, Miranda do Corvo e os surtos…

Duas semanas de Tour. A esta altura, no momento em que se escreve este texto, está tudo dentro da normalidade desportiva. Ou seja, ainda não nos chegaram dados de realidades extra desportivas, aqueles que agora parecem querer dominar o desporto e a sociedade. Já lá iremos.

Pelo Tour, da Ineos, não precisaremos de dizer muito. Antes do Tour começar, foi aqui publicado um artigo (A nova Ineos) com a apreciação do que poderia ser a prova da equipa inglesa. Wiggins, vem agora colocar em questão as escolhas da equipa, que deixou de fora os seus dois grandes “players” para este tipo de provas. E, diremos nós, mesmo na “debacle” de Bernal, os players que ficaram mais tempo com ele foram Castroviejo e Kwiatowsky, da antiga Ineos. Acrescenta-se apenas que um bom director desportivo, é muito mais que um player em corrida.

Durante a semana o seleccionador francês de Sub-23, colocou, seriamente em questão alguns jovens resultados. Chamou-lhes, durante o período de formação, ciclistas banais. Nunca foi o caso, mas, mesmo sendo, quantos desses ciclistas ditos, por muitos, banais, são os melhores ciclistas na vida profissional? O desporto, como a vida, dá muitas voltas. Não é por acaso, que já há algumas centenas de anos, se escreveu o conto, infantil, do “patinho feio”! No meio de tudo, ou é discurso encomendado, ou dor de cotovelo, ou o que é que está este senhor a fazer na federação francesa senão, apenas, e mal, a explorar o trabalho das equipas de formação francesas.

É notório. A geografia do ciclismo mudou e vai mudar mais. Há trinta ou quarenta anos, um ciclista “pato bravo”, tantas vezes também era conhecido como “americano”. Depois, Hampsten, Lemond e, essencialmente, a geração de Armstrong. Os americanos continuam aí, de pedra e cal e já ninguém chama americano a um pato bravo. A estes já ninguém pode chamar, nem sequer, australianos, canadianos, costa riquenhos ou balcânicos, esta, uma zona do globo, onde desporto sempre foi visto de uma forma abrangente, mas consolidada.

Mudando de ares, vamos a Miranda do Corvo (Vila Nova). Quase num passe de mágica, em pouco tempo, a Federação conseguiu manter os nacionais de rampa. Estavam previstos para Seia, mas, um surto, parece ter impedido a sua realização. E fica já aqui uma questão: o que é um surto?

Não é, obviamente, a nossa Federação, ou todas as federações desportivas que têm de responder. Mas já deveríamos estar esclarecidos quanto à DGS, para todas as actividades da sociedade no geral. E estamos muito longe disso. Não tardará muito e as escolas serão um exemplo paradigmático.
Em Miranda do Corvo, o que eu vi provado, é que é possível existir ciclismo, e desporto, da formação aos escalões principais. E, tem de existir. Naturalmente, com cumprimento de normas, que já deviam ser mais claras (ou existir sequer…) emanadas de cima para baixo e não de baixo para cima.

É que estes “pequenos poderes” que já referi noutro texto (a expressão é de um antigo, e, como quase nenhum, Ilustre, Ministro da Justiça) são do mais perigoso que um Estado, que se pretende de Direito, pode ter. Ou seja, a DGS, e o Estado, comprometem-se de uma forma, mas isto é tudo tão volátil, que os organismos regionais ou locais, se sobrepõem a quem deve, de facto, mandar. E tantas vezes neste organismos locais estão pequenos déspotas, desde sempre mascarados, e que vezes a mais, apesar da formação superior, não sabem juntar duas linhas de texto.

Não pretendo ser arauto da desgraça, mas, com o aproximar da nossa Volta, confirme-se bem o que se faz e controle-se esta gente. O seu ego, não permite perceber, que há mundo, tem de existir mundo, para além das suas paredes de ar condicionado. Mantenho o que sempre se disse. Os problemas também os vemos. Isso é fácil. Queremos é soluções e alternativas. Tantos políticos, tantos especialistas, tantas nomeações e ninguém tem uma ideia que vá além da simples e mera proibição.
Luís Gonçalves

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