Seta dias…

Talvez por defeito profissional, quando li pela primeira vez a norma que regula o número de casos positivos (covid) no Tour, pensei para comigo, e também partilhei com alguns camaradas da bicicleta: Isto vai dar confusão!
Foi, como muitas normas, sobretudo as feitas à pressa e em cima dos acontecimentos, portanto, quase todas hoje em dia, mal esclarecida e pouco clarividente. Ou seja, o que é o tal período de sete dias e qual o impacto do número de casos nesse período?
Sabemos que são dois casos espalhados por todo o universo da equipa. Das equipas. Não da organização, jornalistas, convidados e afins. Diga-se, de outra forma também seria impossível o Tour.
Mas, estes casos agora revelados, em quatro equipas, acumulam com o próximo controlo, ou não. Estão dentro ou já fora desse período de sete dias. As autoridades de saúde francesas dizem, claramente, que acumulam. Mas a forma como a norma está escrita, mal escrita, deixa tudo menos certezas. Quanto a mim, pessoalmente, sem as certezas das sumidades sanitárias, apesar disso, não tenho grande pejo em afirmar o contrário das autoridades de saúde francesas, ou seja, os dois casos têm de ser verificados dentro do período de sete dias, portanto no mesmo teste, sem acumulação no período de sete dias seguintes. Dias que podem ser diferentes, porque alguns testaram ao Domingo e outros à segunda. Certamente para dar mais sal e pimenta à coisa.
Sabemos, porém que, mesmo que as equipas esperneiem (e já começaram a lançar essa evidente dúvida) a última palavra cumprirá a quem coordena a saúde e, em última instância, ao Estado. E quem pode manda, mesmo que mande mal, por incompetência. Lá, como cá.
Funciona como mais um controlo anti-doping, para pior, porque é imediato. O regulamento pode estar mal, o procedimento pode não ter sido cumprido por quem controla, mas quem se lixa é sempre o mexilhão. Ou então, aquelas decisões vesgas de alguns comissários que ninguém percebe muito bem.
Luís Gonçalves

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