Não sei..não

Passou a primeira semana do Tour mais esquisito da história recente. E ao fim dessa semana perguntaram-me quem é que eu achávamos que ia vencer este Tour. A resposta foi fácil e rápida: não sei!
Como é óbvio também não o saberíamos em condições normais. Mas nessas condições normais as nossas perspetivas abriam-se e podíamos arriscar, ainda, três ou quatro nomes, aos quais acrescentaríamos sempre as ponderações habituais como um colapso físico numa etapa qualquer ou uma indesejada queda que levasse a uma desistência.
Bem, às vezes, depois da consagração de um ciclista, também lá podia vir, passado algum tempo, a indesejada notícia de uma substância dopante. Mas na estrada, as previsões acabavam por ter alguma simplicidade.
Simplicidade que se perdeu com os testes ao Covid e as apertadas regras impostas. Naturalmente têm de existir critérios sanitários de segurança. Mas não deixará de ser estranho ver intrometer-se na corrida e durante a corrida um fenómeno puramente extra desportivo. Dirão uns que é um tempo excepcional, e está certo. Porém, continua a ser um fenómeno extra desportivo.
É quase desvalorizar o esforço dos ciclistas, numa espécie de intromissão ilegal na tão propalada verdade desportiva, sobretudo quando os principais lesados são, como sempre, a parte mais frágil de toda uma equação, que é bem mais vasta do que parece e que podia e devia ter mais caras.
Luís Gonçalves