Tour : Pogacar – Roglic – Bernal, qual deles será o mais forte no que falta correr ?

A foto documenta um dos muitos ataques de Pogacar, que mais uma vez, aproveitou o trabalho da equipa da Jumbo-Visma ao longo da etapa. Os holandeses tinham como objetivo selecionar a preparar caminho para a saida de Roglic, na parte final da etapa.Com isso, ganharam a amarela, pois Adam Yates que já a tinha a prazo, perdeu o comboio da frente e tempo mais que suficiente para baixar no final da etapa para a oitava posição.

Os heróis do dia foram os mesmos, mas um aparte para uma cavalgada digna de um grande ciclista. O suíço Marc Hirschi percorreu na frente de uma corrida 90 kms, etapa disputada a um ritmo diabólico, foi apanhado a 1300 metros do fim. Foi para a roda dos seus quatro perseguidores, apertou os sapatos, respirou fundo e ainda foi o primeiro a arrancar para o sprint final. Uma corrida nunca vista, nem mesmo as melhores cavalgadas de Thomas de Gendt.

O Tour pára amanhã para descanso e para os testes, numa altura crucial, e com um ritmo competitivo nunca visto. Até na forma de correr , este Tour está diferente. Há menos o fator equipa e mais o fator individual. Na verdade, os chefes de fila ficam responsáveis consigo próprios nos momentos decisivos e finais das etapas, sem o recurso a nenhum companheiro de equipa, sinal também demonstrativo da extrema confiança da Jumbo -Visma em Roglic. Nunca em Tour anterior se viu uma forma de correr deste tipo: uma equipa a partir tudo pelo caminho e entregar a corrida ao seu chefe de fila, ficando na frente meia dúzia de ciclistas . Pelo meio, o pelotão é dizimado com este ritmo endiabrado e só os fortes resistem. É uma tática arriscada , esta da equipa holandesa, pois se Roglic tiver de responder a ataques de adversários diferentes, as coisas podem-se complicar. Para já, apenas Pogacar parece ter força e confiança para atacar o novo camisola amarela, mas se Bernal vier a melhorar as coisas irão ser diferentes.

Na luta pelo pódio e pela camisola amarela, apenas se descortinam três ciclistas, separados entre si por segundos, apostamos mesmo os únicos que poderão vencer, referimo-nos a Roglic, Bernal e Pogacar. Estes são os três que têm estado sempre na frente, os outros vão rodando, como o caso hoje de Mikel Landa, ou como o caso de Bardet ontem . Os nomes serão os mesmos, mas o que se nota é que há uma lufada de ar fresco, com a entrada de novos nomes na história deste Tour : Van Aert, Pogacar. Martin, Bernal, Mas, Angel Lopez , contrastando com os nomes de Quintana,Bardet, Pinot, Landa, Porte nomes já muito rodados, conhecidos e que são isso mesmo, nomes de prestígio, mas a perderem para uma nova geração. A vida é uma constante rotação e esta geração é das melhores e mais prematuras do ciclismo mundial, deste e doutros tempos.