Terá terminado o ciclo Sky-Ineos ?

Os ciclos não passam disso mesmo, períodos que se repetem que chegam a um final, em que normalmente os intervenientes são outros, quando na gíria glosamos ” chegou o fim de um ciclo”.

Será que a Ineos, continuidade de um grande projeto de ciclismo chamado Sky, já teve o seu apogeu e caminha, agora, para a normalidade, ou melhor a vulgaridade ? A equipa britânica teve sempre uma referência e atração pelas grandes provas por etapas, esporadicamente, tinha algumas intervenções nas provas clássicas de um dia, mas passou sempre ao lado desta realidade. O Tour bastava-lhe para dar força a um projeto consolidado em milhões de euros, que lhe permitiram aperfeiçoar métodos de treino, dietéticos, comunicativos baseado num conceito : são nos pequenos pormenores que fazemos a diferença.

Alguns desses pormenores já estavam muito à frente e enquadram-se na atual realidade. Por exemplo, em pleno Tour os ciclistas eram proibidos de cumprimentar as pessoas, desinfetavam várias vezes ao dia as mãos, para lavar a roupa de cada ciclista, havia uma máquina de lavar diferente para cada um, pormenores que se enquadram perfeitamente nas atuais medidas contra a pandemia.

A contratação de ciclistas era meticulosamente estudada e a equipa funcionava em uníssono, marcando a cadência na alta montanha, montando as famigeradas ” bordures” nas etapas planas e ventosas. Nunca foi prioridade da equipa grandes sprinters, apesar de Cavendish, ter uma passagem pela equipa em 2012, onde ganhou três etapas e a equipa conquistaria o Tour com Bradley Wiggins, com Froome e Porte a assistir. A equipa dominou de tal forma a competição francesa, que a partir daqui e até 2019, nunca mais parou.

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O comboio da Sky era impressionante, fazendo lembrar os velhos tempos da US Postal, tal era o seu domínio e a forma como dominavam tudo e todos no Tour. Mas o ciclo da Sky terminou e a equipa britânica passou por um mau bocado, valendo a Ineos, uma empresa que baseia a sua atividade no plástico que a própria equipa Sky tinha lutado contra no ano anterior, quando apareceu com um slogan nas suas camisolas contra o uso do plástico.

CASTELLI RETURNS TO THE PODIO OF THE BEST COMPETITONS WITH EGAN BERNAL AND TEAM  INEOS

A equipa pareceu enfraquecer no final de 2019. Deixou fugir alguns ciclistas de trabalho influentes. Froome teve o azar que teve, mas valeu-lhe Bernal, jovem, na flor da idade, mas sem a experiência de Froome , Thomas e Wiggins. Diz-se que pode ser um “ganha tudo”, mas o colombiano, este ano não está tão forte quanto isso e, mesmo comparando com outros jovens, como Van Aert, Pogacar e Van der Poel custa-lhe a confirmar o seu potencial este ano.

A equipa não teve o mesmo nível de contratação. Recorrendo a Carapaz a Amador e se juntarmos Castroviejo é muito da Movistar e pouco do que nos habituou o nível de contratações de Dave Brailsford, a que se soma a morte prematura de Nicholas Portal, que mantinha a união na equipa.

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Em final de 2019 pensava-se que em 2020 este trio seria imbatível.

A formação das pequenas diferenças, desmoronou o seu castelo quando, à última hora optou por deixar Froome e Thomas em casa, preferindo apostar em Carapaz e só em Bernal como chefe único no Tour. Os factos, porém, têm demonstrado que a equipa, na montanha, não tem força e Bernal arrisca-se a dificilmente ter um lugar no pódio. Faltam duas semanas, e à medida que nos aproximamos do final do Tour, os comportamentos dos ciclistas vão sendo diferentes. Espera-se que a Ineos possa estar mais forte que a Jumbo, pelo menos é a esperança de muitos, mas será que irá ser mesmo assim ? A fragilidade da Ineos não é sinal de que possa melhorar nas etapas que faltam cumprir.