” Que dizer de uma corrida como a de hoje, onde não faltou nada “

Foi uma etapa de emoção. Com muitos erros táticos pelo meio, com consequências para quem os cometeu, e um triunfo de etapa que recompensa, sobretudo, uma equipa muito fiel ao ciclismo. A AG2R já merecia um triunfo no Tour, e se ganhou a etapa com Nans Peters, o melhor de um grupo de treze ciclistas que chegou a ter cerca de 13 minutos de vantagem, também tentou chegar à amarela com um ataque muito oportuno de Bardet já nos últimos kms da etapa, e que esteve quase a resultar.

A etapa resume-se a um ritmo diabólico imposto pela Jumbo-Visma nas duas ultimas ascensões, que resultou no afastamento de Tom Dumoulin do grupo dos homens da frente, virando-se a caça contra o caçador. Com muitas indefinições e receios, o grupo da dianteira nunca conseguiu desmembrar-se, Roglic estava forte e a sobriedade de Nairo Quintana espantou, sendo o único que correu com inteligência, não se expondo nem gastando forças desnecessárias. Hoje, foi possível ver que não há super equipas, como antigamente. A Jumbo-Visma faz diferença, mas se tiver de trabalhar fica limitada, com Tom Dumoulin sem pernas para os momentos decisivos, um pouco como Pinot, ambos limitados no passado com problemas de saúde e recuperação.

Se a etapa foi emocionante, sem duvida que Pogacar muito contribuiu para uma maior animação, depois de uma ataque, cortado por Roglic e Quintana, o eslovena da UAE não parou e foi à busca do tempo perdido. Porte e Landa tentaram o mesmo, mas não tinham a pedalada do homem da UAE. É certo que os três tiveram um pouco a sua vida facilitada, face ao tempo perdido ontem, o que lhes deu uma margem de manobra maior, se estivessem a segundos da frente da geral individual, as coisas poderiam ser um pouco diferentes.

Bardet bem tentou a amarela e quase ia conseguindo.

Quem se aguentou e beneficiou das indecisões, normais em situações do género, foi Adam Yates. Por duas vezes o britânico esteve descartado, por duas vezes recolou e defendeu a sua camisola amarela com unhas e dentes nos ultimos dez kms. Que dizer de uma corrida como a de hoje, onde não faltou nada : ataques, emoção, público, drama. O Tour está em polvorosa e seria bom, que alguns comentadores falassem menos do Covid, das máscaras e mais de ciclismo.