Será a Jumbo-Visma a nova “dream team” ?

A Holanda é um país de ciclismo, de utilizadores de bicicleta e de grandes tradições na modalidade. De Zoetemelk , a Jan Jansen, Jan Raas passando por nomes atuais de grandes referências mundiais como Van der Poel, Groenewegen, Tom Dumoulin, Mollema não é um país de muitas equipas, mas de grandes equipas. Umas bem sucedidas, outras nem tanto.

No caso negativo a PDM de Steven Rooks. Durante o Tour de 1991 o famoso ‘caso Intralipid’, uma má conservação e manipulação deste complemento alimentar produziu uma intoxicação, que obrigou ao abandono, de toda a equipa no Tour, associando-se casos de utilização de EPO, que passaram também para outra equipa do mesmo “grupo” a Superconfex. Depois foi a vez da Panasonic e a famosa equipa Rabobank, e o famigerado caso Rasmussen que acabou de vez com a que era, na altura, uma das formações mais poderosos a nível mundial.

O ciclismo holandês foi recuperando, em termos de credibilidade, conseguindo nos últimos anos reunir um grupo, a que se ligaram a Lotto holandesa, que acabaria por dar lugar à Jumbo que, com o apoio da Visma e da Hemo conseguiram reunir um leque de ciclistas, formando um conjunto esta temporada, cujo objetivo central é destronar a Ineos do pedestal inabalável de crónica vencedora do Tour.

Uma equipa muito completa, e com possibilidades de vencer em todo o tipo de terrenos e provas, quer sejam de um dia, tipo clássicas, quer sejam de etapas, de uma semana ou nas grandes provas mundiais de 21 dias. A equipa reuniu tropas, conseguiu três nomes de top mundial, como Roglic ,Tom Dumoulinm e Kruijswijk para as grandes provas por etapas. Sprinter com caraterísticas de provas por etapas, como Groenewegen, ou ciclistas super em todos os terremos como Wout Van der Aert, neste momento considerado o melhor ciclista de provas clássicas e um dos nomes mais sonantes a nível mundial. Para além dos grandes nomes, a Jumbo-Visma reuniu um lote de ciclistas equilibrado, em todo o tipo de terreno, com ciclistas fiéis aos seus chefes de fila e sem outra ambição senão abrir caminho para os seus triunfos. Por isso, não é de admirar que na alta montanha do Tour, ao lado de Roglic e Dumoulin se veja Kuss, George Bennett e Gesink gregários de luxo, e a rolar nomes como Tony Martin, Amund Jansen e que poderiam ser uma óptima ajuda para Van der Aert, se este tivesse uma equipa ao seu serviço no Tour.

No atual momento não se descortina neste Tour, uma equipa tão poderosa, tão bem pensada e construída, com um único objetivo : dominar o Tour e o ciclismo mundial. Para já, levam três triunfos no Tour, um feito que muito dificilmente alguma outra formação conseguirá este ano.