Roglic mostrou as garras

Foto:AFP

O chamado grupo dos melhores vai-se reduzindo cada vez mais. De 35 ciclistas que chegaram na frente na segunda etapa, agora apenas 16 tiveram esse privilégio, um grupo de elite, onde estavam todos os ” masters”. Poucos foram os que ficaram de fora, lembramo-nos de Enrique Mas, Buchmann, falharam por pouco ( nove segundos), mas falharam, o mesmo sucedendo a Sergio Higuita e a Richard Carapaz, que está a mostrar estar longe da categoria de um Thomas ou mesmo de um Froome.

Na frente, quem mais deu que pensar foi, sem duvida, Guillaume Martin, o primeiro a atacar o triunfo de etapa e a desmanchar um grupo que tinha mais que 16 unidades. O francês da Cofidis foi a estrela do dia, a par naturalmente de Roglic, impressionante o desafora e o à vontade do seu triunfo. Demasiado evidente… demasiado fácil.

As sensações sentem-nas os ciclistas, como é evidente, mas deu para ver que Alaphilippe, por exemplo, não está tão forte como o ano passado. Esta era uma chegada ao seu estilo, e quando se mexeu ficou sentado. Era uma chegada em termos de lógica para Pogacar, o compatriota de Roglic não ganhou por pouco, mas mostrou que a discussão dos primeiros lugares no Tour poderão passar, forçosamente por ele, e porque não por Guillaume Martin. Ainda do lado francês, saliente-se o bom lugar de Pinot, ainda tocado da queda de que foi vitima na 1ª etapa, e que passou a etapa com ” – grande satisfação, depois daquele ritmo diabólico dos Jumbo-Visma. Recuperei bem nestes dois dias” – disse o ciclista da Groupama no final da etapa.

Quanto a Roglic e a acreditar nas suas palavras “- sinto-me cada vez melhor a cada dia que passa. Hoje a etapa foi muito rápido e os meus colegas de equipas fizeram um ótimo trabalho” – temos homem para o que der e vier. A sua facilidade em sprintar na chegada, é sinal de que está num grande momento de forma e a confiança dos seus companheiros é um sinal de que a Jumbo confia a 100% no esloveno.

Quanto a Alaphilippe está contente por ter conservado a amarela, num dia difícil para a Deceuninck : ” não posso exigir mais da equipa. A continuar assim vamos à ruína. Não podemos controlar uma etapa desde o quilómetro zero durante muitos dias , vamos ter da abrandar e passar a bandeja a outras equipas. ” – na verdade a Deceuninck controlou a etapa toda, menos os quilómetros finais da subida , o que provoca grande desgaste numa equipa que tem ainda, que dar uma ajuda a Sam Bennett nos sprints. Muito, para tão poucos ciclistas.

Quem tem marcada a sua participação pela descrição tem sido Quintana. Hoje era um dia difícil para ele. Uma subida em alta velocidade, algo em que não se sente muito à vontade. O colombiano precisa de subidas mais longas e inclinadas, mas hoje o seu quarto lugar foi um sinal de que está num momento muito bom, e que pode fazer um dos melhores Tours da sua carreira.

Se dermos conta, pouco falamos da Ineos, que depois da polémica dos três potenciais chefes de fila, veio para a Tour sem dois deles e, agora está reduzido a Bernal, o que pode ser um falhanço de todo o tamanho. Carapaz não parece talhado para estar ao seu lado nos momentos decisivos. Hoje, por exemplo, Bernal ficou sozinho e a procissão ainda vai no adro.

Na frente da corrida continua Alaphilippe, acossado já de perto por Adam Yates, a quatro segundos e Roglic a sete. Muito cedo para se pensar nestas coisas.