Depois de Paredes, segue-se novo período de hibernação

Com o final dos Nacionais o ciclismo vai hibernar por mais um longo período. As provas não se sucedem e as equipas continentais vêem-se a braços com uma gritante ausência de competições, que não justificam nem de longe de perto o elevado custo de inscrição de uma equipa, quer na FPC quer na UCI. Então ,no organismo internacional, é vergonhoso o desprezo pelas equipas do terceiro escalão. Tudo é vocacionado para o Worldtour, talvez por isso neste Nacional de Paredes, os ciclistas presentes na prova, deste escalão tenham beneficiado de um ritmo competitivo, que os ciclistas internos, infelizmente, não tiveram a possibilidade de ter.

Foram três dias de ciclismo . De muito público e de muita competição, com realce em termos coletivos para a equipa da Kelly – Oliveirense que conseguiu resultantes relevantes no escalão sub-23 e mesmo em elites esteve presente de forma muito positiva.

O vencedor era o esperado. Rui Costa aventurou-se nestes Campeonatos porque sabia que teria as costas protegidas ( os irmãos Oliveira) e sabia também que, normalmente as guerras intestinas acabam por favorecer os de “fora”. Com 12 ciclistas a W52 era favorita. Não ganhou mas vendeu cara a derrota. Pouco mais podia ter feito. Daniel Mestre ainda estará a pensar como foi possível não ter ganho, ele que é um dos ciclistas mais rápidos do nosso pelotão. Com dois bons ciclistas para a chegada, Mendonça e Fonte a Efapel apostou em Joni Brandão, mas a aposta surgiu furada e, na parte final esperou pela ajuda da equipa dos Emirates, na tentativa de controlar em conjunto os homens da W52, só que Rui Costa atacou no momento certo.

Se Rui Costa venceu, bem pode agradecer aos seus companheiros de equipa, que se esforçaram, e sofreram, para lhe dar o título desejado. Mas em boa verdade, devemos estar satisfeitos com o comportamento dos “nossos” ciclistas, os que competem no nosso país, por terem corrido de igual para igual com alguns homens do pelotão World Tour. A diferença não se notou.