Os perigos espreitam e de quem é a culpa ?

O diretor desportivo da Jumbo-Visma entendeu que há que tomar medidas e assegurar com intervenção os problemas de segurança que tem afligido o pelotão Worldtour que, vá-se lá saber porquê, caiem que nem tordos.

As quedas sucedem-se, umas em pleno pelotão, outras em descidas vertiginosas, outras com entrada de viaturas em prova, outras ainda por intervenção direta entre ciclistas. De tudo um pouco, que obrigou à diminuição do número de ciclistas em prova, de 200 para 168, senão estamos em erro o número máximo agora permitido.

A questão fulcral do problema é, desta vez, hipocritamente defendida por diretores das equipas e ciclistas, que há que tomar medidas e encomendar o serviço de inspeção de uma prova e o seu percurso a uma empresa independente para emitir o seu parecer.

Alguns destes mesmos diretores são aqueles que mandam os seus ciclistas atacar a descer, se têm ciclistas vocacionadas tecnicamente para tal, pouco se importando na altura se estão a causar perigos para os restantes ciclistas. No recente Giro da Lombardia, Vincenzo Nibali na descida para a ponte fatídica de Sormano, atingiu a velocidade máxima de 85 kms, desenvolveu um pico de potência a descer, de 685 watts e não caiu. O problema é que há muitos que o querem acompanhar e não conseguem, como aconteceu com Remco Evenepoel. O problema que temos em mão é saber se os ciclistas devem atacar a descer ou se devem descer de pedais parados ? Isto é, quem desce bem deverá parar de dar ” corda à faniqueira”, enquanto depois, vê os trepadores a dar ao pedal, no máximo subida acima, sem parar os pedais.

Variadas vezes na televisão vemos ciclistas , nos momentos decisivos da corrida que não pensam em abrandar e nos colegas que seguem no seu encalço, arriscando até o limite máximo.

O ciclismo é um dos desportos mais perigosos e os riscos têm de ser assumidos, porque um organizador, por melhor que seja, não pode dar a garantia a 100% de que não surge um carro, vindo de não se sabe onde, e de que as curvas nas descidas tenham de ser “aplainadas” por um buldozer. É fácil apontar o dedo e exigir, mas quem viu, por exemplo aquela descida louca de Bonifazio (AG2R) o ano passado no Milão-S.Remo ou as descidas loucas de Nibali certamente que vive intensamente aqueles momentos loucos.