Pensar em números

Anima-nos um improvável Tour de L’ Ain. Um pelotão difícil de encontrar nas corridas que não sejam as grandes voltas, e mesmo assim com preferência para a Volta a França. A Jumbo-Visma dá sinais claros de força. Veremos no Tour, onde há mais dias, mais interesses, mais incidências, mais pressão e, por exemplo, a presença da Movistar que pode servir de pêndulo.
Mas, obviamente, que quem tem um vencedor da Vuelta, do Giro e um ciclista com pódios no Giro e no Tour, pode vencer a Volta a França. Não deixa contudo de ser diferente ter já três vencedores da maior prova do mundo.

Pelo Milão-São Remo, nesta altura, aceleram para entrar no Cipressa. Ainda faltam mais de vinte quilómetros…

Dá-nos tempo para falar de números. Nas recentes eleições para a Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, os números continuam a indicar-nos um mundo masculino. São ainda muito poucas as representantes femininas e, algumas, por imposição regulamentar. A generalidade do mundo desportivo, não só o ciclismo, é ainda fechado por padrões de anos.

Mas, os números mais preocupantes serão por ora outros. Já foram abordados. Agosto, mês do ciclismo, é um mês quase em branco. Corre-se em muitos países, mas em Portugal… E já não será uma questão só autárquica. Existindo vontade, nomeadamente financeira, há sempre algumas autarquias disponíveis. Não devemos desconsiderar possibilidades.

Números piores, deverão vir nos regulamentos dos futuros campeonatos nacionais de escalões de formação. Já sabemos que agora há restrição de números para tudo (menos para o desemprego), mas juntar formação, com veteranos, não ajuda na ponderação, nem na visibilidade que pode e deve ser dada aos jovens. E, se as Escolas, não têm nada previsto, porque carga de água hão-de correr os veteranos/as? Bem sabemos, são estes/as, o futuro da modalidade!

O mesmo nas outras vertentes. É deprimente a anunciada ponderação de vagas, resultantes dos apuramentos, no xco. Uma vertente que tem vindo a perder algum fulgor, mas que tem sido essencial no fornecimento de jovens ciclistas à estrada.

No Milão-São Remo, vão a descer o Poggio…

Ainda dá tempo para dizer que acho uma chatice a denominação da “nossa” Taskforce, Covid-19. Coisa de clima de guerra, no estrangeiro, ou de intervenção policial no decurso de um sequestro. Um estrangeirismo desnecessário. Não é a consideração do trabalho que está em causa, mas cada vez que ouço taskforce, dá-me vontade de entrar em desobediência.
Alaphillipe, bem tentou resguardar-se, mas Van Aert venceu na luta final o primeiro monumento do ano, em Agosto. Não fora o Milão-São Remo e não era fácil ver mais de trezentos quilómetros de ciclismo. Mas vale sempre a pena.
Luís Gonçalves