” É que Lefevere não é um santo “

Quando as comadres se zangam… o ditado já é conhecido e, mais do que acertado em relação ao sucedido na 1ª etapa da Volta à Polónia, onde uma série de explicações são adiantadas face ao grave acidente.

Comecemos pelo sprint em si, em que há naturalmente um desvio intencional do ciclista que segue na dianteira do grupo, e pergunta-se porque todas as quedas se dão precisamente, com o entalamento dos ciclistas entre o ciclista que fecha a porta e as barreiras. Num sprint percorrido a todo o gas todos os pequenos pormenores são importantes. Primeiro é escolher a roda certa, segundo sugar essa roda e passar o mais perto possível da linha de meta, terceiro sempre que possível ultrapassar do lado das barreiras, para melhor proteção do vento. Quedas como a sucedida na Volta à Polónia há às dezenas. Perguntamos qual a diferença entre a registada na Volta à Polónia ou aquela que atirou Cavendish ao solo, pelo fechar da porta e cotovelada de Peter Sagan? Nenhuma, apenas um facto poderá ter estado na origem de uma elevado acentuar dos danos. As barreiras que cederam e permitiram a passagem de Jakobsen para o outro lado da estrada. Mas porquê ? O facto estará nas barreiras ou pela ausência de público que as fariam ganhar uma maior resistência ao forte impacto.

Sem público a firmar as barreiras estas ficaram mais frágeis e cederam, o que é lógico, pois as barreiras eram inclinadas, logo sem que os seus pés possam ter causado a queda. Poderão não ter sido suficientemente encaixadas umas nas outras, mas para segurarem as telas da publicidade teriam forçosamente de estarem ligadas umas às outras.

De seguida vejamos a chegada, fortemente criticada pelos ciclistas. É certo que não é a melhor forma de se efetuar uma chegada. levemente a descer, mas os ciclistas passaram pelo local algumas vezes antes do sprint final e não tinha curvas. Cumprissem os ciclistas com as regras e a queda não existiria.

Por último, a crucificação de Dylan Groenewegen parece-nos um exagero. Começamos com um ditado e acabamos com outro ” quem anda à chuva…” é verdade. Os riscos são cada vez maiores, mas serão só dos ciclistas e dos seus comportamentos ?

Aqui encontraremos também vários culpados. Primeiro as próprias equipas com o seu grau de exigência em termos de resultados. Segundo os organizadores que procuram privilegiar o espetáculo, ora procurando percursos cada vez mais difíceis, o que vai um pouco contra a saúde dos ciclistas, ora procurando perigos com estradas em macadame, com troços de paralelos, de forma a que as suas provas tenham uma cada vez maior visibilidade em especial na televisão.

Depois o sindicado dos ciclistas, quando Bugno ele próprio afirma ”
mas continua sendo inaceitável que tais acidentes aconteçam nas corridas do WorldTour  ” dando a entender que o ciclismo está apenas confinado ao World Tour e o resto é paisagem.

E por último, o mais escabroso, quando Patrick Lefevere, manager da Deceuninck apresentou queixa de Groenewegen na polícia. Lefevere gosta de estar na onda, mas ficou mal a um diretor desportivo com a sua experiência, querer transformar um ato desportivo, num ato criminal. E aqui, finalmente o último ditado ” quem nunca pecou que atire com a pedra”, é que Lefevere não é um santo.