Ficamos à espera

A adrenalina estaria já no seu máximo. A ansiedade levar-nos-ia a uma noite de insónia. Teríamos saído do pódio de apresentação em Castelo Branco, revendo amigos e estaríamos envolvidos nos dias mais loucos do ano.

Era a Volta que deveria de estar na estrada. Com o seu ambiente único. Com os dias contados um a um, ao pormenor. O curioso é que, da Volta, pouco ou nada se fala. A comunicação, ou melhor a lamentável falta de informação que o ciclismo nos habituou é gritante, num momento em que muito se necessitaria de falar de ciclismo. A modalidade passa ao lado. Torna-se esquecida e da Volta, daquela que se pode vir a realizar em setembro, pouco ou nada se sabe. Desta, a que deveria ser realizada em agosto, já sabemos tudo. Da outra… nada, e o nada é angustiante. Não se sabe uma partida, uma chegada. Não há um press release informando o andamento da sua organização. Em que estado se encontra.

Haverá Volta ? – perguntam os mais céticos. Este silêncio não é bom e o tempo urge. Organizar uma Volta não é o mesmo que organizar o circuito de Beirolas. Não é muito complicado, é certo, mas por vezes as pessoas dão para complicar. Para fazer do fácil o difícil, e quando assim é, as coisas complicam-se.

Temos fé, temos esperança. e sobretudo temos confiança em algumas pessoas, muito poucas, é verdade, que teremos uma Volta. Nacional, internacional, pouco importa, o que necessitamos é da Volta. Já o dissemos não vai ser a mesma coisa. Vai faltar público. Ambiente. Alguma festa e a alegria que só o ciclismo, só a Volta, consegue levar por este Portugal fora.

O angustiante de tudo isto é que o ciclismo vai perdendo fulgor. Sente-se, apesar de serem cada vez mais os que se servem da bicicleta para satisfazer as suas necessidades físicas. Os feitos heróicos sucedem-se. Batem-se records de resistência. Vão de Chaves a Faro non stop. De Évora à Serra da Estrela. Sucedem-se excursões a Fátima. Faz-se a Volta ao Minho em 9 horas. Batem-se records de acumulado. Vale-nos para que o ciclismo não seja esquecido, a internet, os “facebooks”, os “instragrans”, os blogs, quando não o vazio informativo seria arrepiante. Venha a Volta, mesmo em setembro e outubro, mas venham algumas informações de que algo está a ser feito, pelo menos para todos, quantos vivem do ciclismo tenham incentivo para continuar a trabalhar. Ficamos à espera.

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