Até que não está mal pensado

Com as dificuldades a virem, a cada dia que passa, à tona, começam as grandes interrogações, em relação aos apoios, ou falta deles, dos organismos que gerem a modalidade, muito em especial a União Ciclista Internacional.

A UCI é o organismo que tutela todo o ciclismo mundial, através de um engenhoso esquema, que lhe permite encaixar milhões de euros, só em inscrições, isto sem ter em ,linha de conta os milhares que encaixa anualmente, só em multas. Apoios ? Que saibamos nenhuns.

Um esquema, que até não está mal pensado, e que obriga todas as formações que pretendam participar numa prova internacional, mesmo no país em que está filiado, a inscrever-se naquele organismo. Tudo lá vai ter : as inscrições das provas, as inscrições das equipas, as multas e as taxas da luta contra o doping. Tudo junto são largas centenas de milhares de euros.

Mas e o que faz a UCI, ao nível das equipas continentais UCI, escalão no qual estão inscritas todas as equipas nacionais ? A nível de benefícios nenhuns, para estas mesmas equipas.

Anotemos : se uma equipa quer participar numa prova internacional, não tem qualquer tipo de apoio oficializado, ao contrário do que sucede com as equipas World Tour e Continental pro. As equipas UCI participam nessas mesmas provas em desigualdade de condições com as restantes formações dos escalões superiores. Isto é, na mesma corrida, haverão condições diferentes, o que desde logo, as coloca em desvantagem.

Por outro lado, enquanto as restantes formações têm um calendário ao seu dispor, no qual a UCI se empenha em criar legislação apertada, nas provas para os escalões continental UCI, normalmente 1.2 ou 2.2 , as vagas disponíveis são praticamente nulas, face à enorme quantidade de equipas existentes. No final, as equipas acabam por se inscrever na expetativa de poderem usufruir de um calendário internacional e acabam defraudadas, por duas razões : primeiro não têm calendário, segundo não têm condições financeiras para poderem competir, pois não existe um caderno de encargos financeiros aprovado pela UCI, o que faz com que os organizadores acabem por não pagar às equipas do terceiro escalão, acabando por cair num logro.

Mas o mais caricato é o facto das equipas de um determinado país, para poderem participar nas provas do seu próprio país, numa prova que esteja inscrita na UCI, serem obrigadas a inscreverem-se nesta organismo . Um caso único no desporto mundial.

Mas o que têm as equipas portuguesas em termos de benefícios com a sua inscrição na UCI ? Apenas a possibilidade de poderem participar nas provas do calendário nacional inscritas na UCI, porque poucas são as que competem a nível internacional, por diversas razões :

  • Primeiro pela ausência de um caderno de encargos financeiros estabelecido pela UCI, para estas mesmas formações. As equipas participam nas provas sem qualquer ajuda de custo.
  • Segundo pela assimetria geográfica. Portugal, como país periférico, fica afastado milhares de kms dos grandes países do centro da Europa, ocasionando elevados custos a deslocação para essas provas.
  • Pela ausência de patrocinadores, à escala global, que justifiquem a presença de uma equipa em termos internacionais, como meio de divulgação do produto ou marca.

Em 2021 e face à ausência de provas, espera-se, que o valor das inscrições sejam significativamente reduzidas, quer a nível internacional quer nacional, dada a ausência de provas em 2020 , e que sejam distribuídas ajudas ao nível das organizações de provas, de forma a que as equipas possam ter um calendário condigno. Isto é o mínimo expectável .

1 comentário a “Até que não está mal pensado”

  1. Isso a nível de equipas profissionais então e as pequenas equipas de terra amadoras, que fazem muitas vezes omeletes sem ovos tendo uma época nula até ao momento e que só em filiações já gastaram as suas ultimas reservas monetárias.
    Será que em 2021 iremos ter o mesmo numero de equipas filiadas, é que se a Federação Portuguesa de Ciclismo não se tocar e fizer um desconto considerável nas filiações na próxima época de 2021, podemos correr o risco de muitas equipas não se filiarem para o ano que vem e isso sem duvida que será um rombo nos cofres da nossa Federação.
    Isto acaba por ser o mesmo que contratar um serviço de televisão por cabo, mas o serviço não funcionar na nossa zona de residencia, e continuarmos a pagar por um serviço que não recebemos, o que faziam vocês?
    Penso que este ponto é importantíssimo para refletir e que não se vê nenhuma luz ao fundo do túnel.

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