Rafael Reis perdeu por pouco, no regresso do ciclismo e de…Rui Costa ao nosso ciclismo

Seria um dia em cheio de ciclismo, não fosse o estilo de prova, que marcou a reabertura da nova temporada, ou pelo menos o pouco que dela resta. Na verdade, os C/R são pouco espetaculares e muito monótonos, tirando isso tudo correu conforme planeado, por todos os setores.

Primeiro de tudo, a organização que esteve bem, superou até as expetativas, sendo de realçar, também, a excelente sentido de colaboração de equipas e ciclistas, dando-se uma imagem de grande profissionalismo, sentido de responsabilidade e rigoroso cumprimento das regras estabelecidas.

Um C/R decididamente muito técnico e para ciclistas possantes, capazes de desenvolverem andamentos pesados, com muito vento lateral, que influenciou a utilização ou não de rodas lenticulares, por parte de alguns ciclistas.

No campo desportivo, a aposta da FPC na participação de ciclistas de equipas com inscrição estrangeira, acabou por ser favorável ,com o triunfo de Rui Costa, que regressou à competição no nosso, país depois de alguns anos de interregno. Para a participação destes ciclistas, a própria FPC forneceu tudo, desde equipa técnica a viaturas de apoio. O triunfo de Rui Costa que, diga-se em abono da verdade não é um verdadeiro especialista na matéria, tipo Nelson Oliveira, foi in extremis.

Rafael Reis baqueou por pouco.

Apenas três segundos separaram o ciclista da UAE e Rafael Reis, talvez o melhor especialista do nosso ciclismo interno. E três segundos são poucos, é quase um sopro, talvez por isso mesmo o ciclista feirense estivesse visivelmente contrariado no final da prova. Perdeu, num triunfo que deveria ser seu, isto visto por outro ângulo, ou não se tratasse de uma prova de reabertura do ciclismo nacional, e apenas disso se deveria ter tratado. Com alguma dificuldades em termos de patrocinador, talvez o triunfo de Rafael Reis pudesse ter dado um alento à formação comandada por Joaquim Andrade.

Estamos, aqui, pois perante um dilema, em que mais uma vez as equipas e os ciclistas nacionais, foram remetidos para uma segunda escolha, reduzindo as suas poucas possibilidades de visualização em termos mediáticos.

Veloso provou que ainda é um mestre no C/R.

Voltando à prova em si, e tratando-se de uma disciplina em que os especialistas marcam a sua hegemonia, realce ainda para o terceiro lugar de Gustavo Veloso a 22 segundos, num percurso muito ao jeito das suas caraterísticas de ciclistas pesado e potente. Um olhar atento para os dez primeiros, de realçar o sexto lugar de Tiago Machado, que depois de uma época de 2019 para esquecer, parece ter encontrado o seu ” golpe de pedal”.

Uma prova que ficará apenas recordada por isso mesmo, por proporcionar o retorno à atividade, mesmo que depois, essa atividade esteja reduzida para já, a apenas mais uma prova, com a Volta ainda muito indefinida, isto porque, verdade verdadinha, não há nada que seja melhor que as provas em estrada, mas em linha. Com cor, com movimento, com sprint e não tão previsível, como são as provas de C/R. Talvez por isso é que o ciclismo seja uma modalidade de suspense.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé
O pódio dos sub-23, com o triunfo espetacular de Daniel Dias ( Sicasal).

Classificação: