Com a Volta em setembro, caberia ao JN encaixar o seu Prémio nas férias dos portugueses

A Volta a Portugal foi o primeiro evento velocipédico a ser adiado, depois da UCI ter dado conhecimento do novo calendário internacional. Com a grande maioria dos países a começarem e a preverem a realização das suas prova, o adiamento da prova, colocou em risco a imagem da modalidade, mas muito em especial a incapacidade para a sua organização, no timing previsto.

Adivinhava-se difícil a tarefa organizativa do evento, que começou a planear a Volta um pouco tarde, face às contrariedades existentes. A Volta este ano teria e deveria ter sido um pouco diferente. Mais humilde, mais de acordo com a situação financeira e económica do país, bem como, com as contrariedades resultantes que a pandemia obrigavam. Em 2020, a Volta iria apresentar o maior pelotão dos últimos anos, com 19 equipas, o que poderia obrigar as equipas nacionais a um novo esforço, que era competir com equipas de seis ciclistas, solução que não estava devidamente solucionada por parte do organizador.

Vivendo , desde março, uma fase de pouca ou nula comunicabilidade, poucas ou nenhumas notícias se sabia sobre a prova, o que obrigou equipas a pressionar a FPC, no sentido de obterem uma resposta e informações sobre o evento, altura em que a FPC começou a reunir com os diretores desportivos dando conta de algumas informações sobre a competição.

O percurso oficial que era previsto foi informado a semana passado, mas algumas autarquias acabaram por não confirmar o seu envolvimento , e a comunicação do presidente de Viana da Castelo, feito em proveito próprio, falando para os seus munícipes, ateou o rastilho que levou a que Viseu , uma das autarquias mais influentes da prova, lhe seguisse o exemplo.

A falta de comunicação, em que o ciclismo é pródigo, veio mais uma vez hoje à tona, sem que a organização tenha conseguido dar a notícia do seu adiamento em primeira mão. Até às 19.00 horas de hoje ainda não o tinha feito. Afinal, também já não será preciso. Já todo o mundo sabe…

A Volta megalómana não foi capaz de se adaptar a uma Volta mais simples, correndo mesmo o risco de não seguir caminho. Cautelosa, por seu lado, a FPC está na expetativa, não perdendo de rasto o encaixe avultado de 450 mil euros. Os contratos serão para cumprir, neste ano de pandemia ?

Os diretores desportivos, ciclistas e outros agentes do ciclismo, esses vão cumprindo o melhor que podem o seu trabalho, mas sabem que sem Volta, em direto na TV, o seu futuro é cinzento, por muitas outras provas que hajam até final de época.

Com a Volta em setembro, caberia, agora, ao Jornal de Notícias aproveitar a vaga e encaixar o seu Prémio nas férias dos portugueses, e daí tirar o melhor proveito, desportivo e financeiro. Afinal, não foi durante muitos anos o maior organizador de provas de ciclismo no nosso país…