“Pistoleiro ” Contador

Alberto Contador Velasco, nasceu a 6 de Dezembro de 1982, em Pinto, um município da comunidade de Madrid com cerca de 50.000 habitantes. Começa como «trainee» em 1 de Setembro de de 2002 na O.N.C.E.-Eroski. A sua primeira vitória foi nos Campeonatos Nacionais de Estrada Espanhóis, onde ganha o contra-relógio de sub-23. A sua primeira vitória como profissional elite, foi no contra-relógio no Tour da Polónia em 2003.

No seu longo palmarés consta o seguinte curriculum nos Grandes Tours: venceu três Vueltas a Espanha (2008, 2012 e 2014); dois Tours de França (2007 e 2009. Venceu o de 2010 mas foi-lhe retirada por problemas de doping) e dois Giros de Itália ( 2008 e 2015. Venceu o de 2011 mas foi-lhe retirado por problemas de doping). Venceu quatro vezes a Vuelta Ciclista al País Vasco. Duas vezes o Paris-Nice. Triunfou no Tirreno-Adriático, em 2014 e três vezes a Vuelta a Castilla y Léon. Em etapas, seis na Vuelta a Espanha, três no Tour de France e sete etapas na Vuelta a Castilla y Léon. Participou em 18 Grande Tours ( Tour de França por dez vezes, Giro de Itália por três vezes e cinco Vueltas a Espanha). Participou em 8 clássicas: uma Paris-Roubaix que não concluiu, quatro Liège-Bastogne-Liège, concluídas, uma Milan-Sanremo que não concluiu e quatro, Il Lombardia, todas concluídos. Tem 68 vitórias no seu curriculum.

Qualquer campeão tem situações polémicas ao longo da sua carreira e Alberto Contador esteve envolvido numa em particular de alto relevo, no Tour de França de 2009. Conta-se assim: Alberto Contador e Lance Armstrong na mesma equipa: Astana. Contador regressava depois de uma sanção por estar envolvido na «Operação Puerto», um esquema de doping liderado pelo medico espanhol, Eufemiano Fuentes . Um escândalo que foi investigado desde 2006 pela Guardia Civil e onde estiveram envolvidos vários ciclistas, nomeadamente, Jan Ullrich, Ivan Basso, Alejandro Valverde, Giampaolo Caruso e o malogrado Michele Scarponi, entre outros. Foi um caso julgado pela justiça espanhola que envolveu várias pessoas ligadas ao ciclismo, mas foram todas absolvidas porque a lei espanhola não considerava ilegal essas praticas por não desportistas, mas para a justiça espanhola os ciclistas, esses, teriam cometido atos ilícitos, cobertos pelos estatutos da UCI e foram sancionados.

Alberto Contador, Lance Armstrong - Tour de France 2009 Stage Twenty One

Lance Armstrong regressava quatro anos depois do escândalo que se viu envolvido, também por uso indevido de substancias proibidas e que todos conhecemos. Contador conta a conversa que teve entre ele e Armstrong nesse inicio de Tour de 2009: o norte-americano disse-me que era melhor ser eu a ganhar o Tour e depois escreve no dia seguinte no Twitter que «amanhã no contra-relógio vamos ver quem é o líder». A partir daí, nunca mais acreditei nele. E não é que três dias depois, numa etapa cheia de abanicos o Armstrong não se aguenta e eu, aguento-me e sigo na cabeça do pelotão. Ganhei imenso tempo. Um dia depois vem o americano dizer que não se tinham respeitado as ordens da equipa técnica nem a tática delineada. Respondi-lhe simplesmente: se queres respeito, tens que ser o primeiro a dar o exemplo! «Ok Pistolero, mas no me jodas!», respondeu Armstrong. Ainda nesse Tour, conta Contador, teve que comprar uma roda lenticular de ultima geração a outra equipa, porque as que havia, estavam reservadas ao texano. Alberto Contador ganhou esse Tour e Lance Armstrong fez terceiro a mais de 5 minutos do madrileno. O «pistoleiro» mostrou a sua raça ao arrogante americano.

A carreira do «pistoleiro» é feita de êxitos extraordinários, com uma forma de correr «à Pantani», ou seja, desferir ataques fortíssimos nas escaladas para desgastar os adversários e os surpreender algumas vezes, para os deixar sem hipóteses de reação. Mas os super-ciclistas sabem que nem sempre estão em forma ou então não se preparam adequadamente para um Grande Tour que está na agenda, ou então, a pressão é tanta em cima dos seus ombros que não têm remédio senão recorrer a tudo o que lhes dê vantagem. Alberto não resistiu a recorrer a substancias proibidas. No Tour de 2010 acusou positivo a clenbuterol. Contudo, só em 2012, depois dos apelos habituais, acaba condenado a dois anos de suspensão pelo CAS – Tribunal Arbitral do Desporto. Os efeitos são retroativos a 2010 e assim ficaria suspenso de 6 de Agosto de 2010 a 6 de Agosto de 2012. São anulados os resultados desportivos de 2010 e 2011. Em 2011 ganhara o Giro, como já foi referido, Volta à Catalunha, Volta à Região de Múrcia. Todos esses êxitos foram-lhe retirados.

Durante os anos de 2012 e 2013 corre no team Saxo Bank-Tinkoff, sem grandes resultados. A partir de 2014 o milionário russo, Oleg Tinkoff é parceiro da Saxo Bank, mas em 2016 é o único patrocinador da equipa. Pessoa de temperamento difícil, envolve-se quer com Contador quer com Peter Sagan. Em 2016 através de declarações polémicas e até desrespeitosas para com Alberto Contador disse: «Contador devia deixar o ciclismo, porque vai parecer um pato tonto. Ele já não tem condições para ser um vencedor». A Tinkoff anunciara o seu fim no final de 2016. Em 2017, Contador assina um contrato com a Trek por um ano. Participa no Tour em 2016 e desiste após uma queda na etapa 9. Ainda em 1916, vence a Vuelta Ciclista ao País Vasco, a Volta a Burgos e ganha uma etapa na Volta ao Algarve, na chegada ao Alto de Malhão. Em 2017 não consegue nenhuma vitória antes da Vuelta porque é lá que se despede dos seus conterrâneos, com uma vitória de etapa memorável no Alto de L´Angliru e fica num honroso 5º lugar da Geral. Anuncia o fim da sua carreira pouco depois, embora a noticia já fosse conhecida por todos.

De momento, além de se ocupar com a Fundação com o seu nome, criada em 2013 em parceria com o seu irmão Fran Contador. A Fundação tem uma equipa Continental a Kometa-Xtra que tem como manager o amigo e ex-corredor, Ivan Basso e o diretor desportivo, o seu amigo e companheiro de sempre, Jésus Hérnandes. É comentador habitual da Eurosport-Espanha e colabora com vários meios de comunicação social e está muito ativo nas redes sociais.

Jorge Garcia