O que veio ” à rede ” esta semana

Breve resumo, do que foi dito e escrito esta semana, sobre o mundo do ciclismo, na imprensa digital.

Bernard Hinault, o francês penta-campeão do Tour de França, deu uma entrevista esta semana a um jornal holandês e falou longamente sobre o Tour e apontou os canhões à Ineos e às suas opções – na sua opinião erradas – de levar três líderes ao maior Tour do mundo. No seu ponto de vista, esperar pelas montanhas para decidirem quem vai ganhar o Tour, é desgastante no ponto de vista psicológico para qualquer ciclista. Bernal é o mais jovem e o mais forte. Froome é o mais consagrado e merece o maior dos respeitos. Thomas é um outsider que também merece ser respeitado mas só ganhou um Tour. Disse Hinault: A Ineos criou uma liderança no Tour de França em torno de Froome. Mas isto é uma provocação a Froome. Vamos a ver como se ele aguenta neste jogo exigente. Sugiro que, se for atraiçoado, decida o que deve fazer: ficar ou sair. Se não vencer o Tour este ano, é porque não recebeu apoio de seus colegas, e o melhor é ir para outra equipa, onde tem a certeza de que é o único líder no Tour. Hinault cauteloso: Eu sei que a ASO está fazendo tudo o que pode, para fazer o Tour acontecer. Não sei se isso vai funcionar. Sei que o futuro de muitas equipas pode depender do Tour. Espero que todos se comportem com seriedade.

Romain Bardet, a eterna promessa francesa, passa por um dilema na sua vida profissional: continuar na AGR ou mudar de ares. O escalador francês que já conquistou dois podiuns no Tour de França, decidiu falar sobre as cinco corridas que lhe mudaram a vida. A primeira: Amstel Gold Race de 2012. Disse que pode parecer estranho mas foi a primeira corrida como profissional mais importante e que lhe deixou marcas. A segunda: Tour de l´Ain de 2013. Foi no brutal Col du Grand Colombier que conseguiu mostrar todo o seu potencial como escalador. Foi a sua primeira vitória na classificação geral. Terceira: Tour de França de 2016, etapa 19: já tinha vencido a sua primeira etapa no Tour em 2015 mas a vitoria conseguida em 2016 em Saint-Gervais Mont Blanc, em solitário a 23 segundos sobre «Purito» Rodrigues e Valverde, são demonstrativas das suas qualidades como escalador. Quarta: Mundial de Estrada de 2018: depois de terminar o Tour de France em sexto, diz que foi super-motivado para esse Mundial, mas perdeu para Valverde, que de facto era o mais forte no sprint. Quinta: La Forestière de 2015. É uma prova de cross-coutry e só a fez uma vez. São cerca de 100 Kms e diz que que lhe deu um gozo tremendo.

Victor Campenaerts, o belga da NTT, revelou que dormiu numa barraca de altitude nas ultimas três semanas. Campenaerts, vive na Bélgica, um país ao nível do mar, e que o estágio em tenda permite simular as condições atmosféricas de grande altitude, onde níveis reduzidos de oxigénio fazem com que o corpo produza mais glóbulos vermelhos. Na entrevista à Sporza, disse que com isto é capaz de imitar os benefícios do doping, como a EPO, e disse que estava em busca de um hematócrito sem precedentes. As tendas de altitude, também conhecidas como câmaras hiperbáricas ou hipóxicas, são permitidas pelas regras da Agência Mundial Antidopagem, mas são proibidas nalguns países, como a Itália e a Noruega. Regra geral os campos de treino em altitude costumam ter os ciclistas a dormirem a 2 000 metros de altitude. Com o seu estagio, ele duplicou esse numero e estabeleceu a marca de 4 700 metros. Disse que é um risco elevado porque é uma altitude que pode levar à morte e para mais com o seu corpo pesado. Disse também que só conseguia andar 8 horas de bicicleta por semana com a experiência da barraca. Não dava para mais. O corpo não corresponde ao esforço, e demora muito a reagir e torna-se num esforço doloroso.

A UCI, decidiu transferir as suas atividades operativas de anti-dopagem à ITA – Agência Internacional de Amostras a partir de 2021. A União Ciclista Internacional confia que trabalhar com a ITA, o ciclismo seguirá na vanguarda para proteger o ciclismo,,com desportistas limpos e inclusivamente melhorará, substancialmente, os controlos anti-dopagem. A ITA vai usar técnicas muito avançadas e de deteção de novos produtos dopantes. O Presidente Lappartient disse estar muito satisfeito com a aprovação do contrato com a ITA. Na mesma altura deste protocolo o médico diretor da UCI, dr. Xavier Bigard afirmou que estavam a ser ultimados todos os protocolos de saúde com vista à nova era do ciclismo – a era Covid19 – direcionadas para as provas que se aproximam. A publicação destes protocolos serão anunciados na próxima semana.

Alterações da UCI ao calendário publicados esta semana: a Milan-San Remo será efetuado a 15 de Agosto, apesar do pedido da RCS a organizadora da prova italiana, e que pretendia que a prova se realizasse a 22 de Agosto, para impedir que coincidisse com os campeonatos nacionais italianos. O Giro da Lombardia será a 15 de Agosto. As alterações solicitadas pela RCS, a organizadora do Giro, tinham como finalidade, ter uma maior proximidade de San Remo com Nice onde começará uma semana depois, o Tour de França e por isso haver grandes deslocações por parte dos ciclistas. O CEO da RCS, Paolo Bellino disse que discutiu violentamente com Lappartient porque ele lhe tinha garantido que podiam organizar a San-Remo entre 22 e 23 de Agosto e agora decidira em sentido contrário. Também o Il Lombardia tinha sido pedido pela RCS, o seu reagendamento que estava marcado para 31 de Outubro e queriam a sua antecipação. Vai passar definitivamente para 15 de Agosto. O Tour de Guangxi passa para Novembro, entre o dia 5 e o dia 10. A clássica «A Travers de Flandres» será cancelada e há uma serie de provas femininas também alteradas ou canceladas.

A UAE já definiu os planos desportivos para este ano. Assim para o Tour de France será liderado por Fábio Aru e Tadej Pogacar, apostando claramente num podium para o esloveno. Além destas duas estrelas, estarão em França, David de La Cruz, o norueguês, Alexander Kristoff e o italiano, Davide Formolo. Em principio uma parte desta equipa fará a Vuelta com a inclusão do português Rui Costa. Para o Giro a aposta será em Fernando Gavíria e do seu lançador Maximiliano Richese, mais o italiano Diego Ulissi e Juan Sebastián Ulano. Para o Giro está também convocado Valério Conti, Brandon McNulty e Joe Dombrowski. Para a Vuelta estará em principio Fábio Aru, David de la Cruz, e o sprinter Jasper Philipsen, além do português Rui Costa.

Nairo Quintana está um ciclista e um homem diferente. Liberto das amarras que o departamento de comunicação profissional da Movistar lhe exigia, agora como estrela brilhante da Arkéa, ele está diferente e é vê-lo regularmente nas redes sociais a promover a sua Colômbia, de uma forma completamente genuína e patriótica. A sua história é de uma pessoa simples e filho de gente remendada. O espaço que disponho não é suficiente para conhecer a história deste pequeno colombiano, tão simples e autentico, que um dia tive a oportunidade de conhecer. Por isso, convido os nossos leitores a lerem a entrevista que deu ao jornal «Marca» e se tiverem dificuldades em ler a entrevista em castelhano, usem o browser da Google porque vão ter a oportunidade de fazer a tradução em português, usando o botão do lado direito do rato para pedir a tradução. Aqui vai o link da entrevista:

https://co.marca.com/claro/ciclismo/2020/06/09/5edef26222601dc1408b4591.html.

Vale a pena conhecer a história de um grande ciclista que foi para uma equipa, no momento errado da sua vida mas que acabou por o formar como ciclista e homem, mas que o limitou a nível competitivo.

Johan Bruyneel o «engenheiro belga» responsável pela «obra prima» chamada Lance Armstrong, põe o dedo na ferida e «baralha tudo e torna a dar», como se costuma dizer na gíria popular. Eis algumas afirmações polémicas, mas que não estão isentas de verdade: Lance é meu amigo porque estamos no mesmo comprimento de onda. Homens como Vaughters (n.d.r. actual director da EF) não estão, são uns covardes. Greg Lemond sempre diz que é o único vencedor limpo. Grande merda! LeMond sempre correu em equipas francesas e eles eram os reis da cortisona. Quando escuto alguns ex-colegas que ainda estão no ativo, penso: façam o que quiserem, mas fiquem calados sobre o doping. Tomemos, Marc Madiot, Vincent Lavenu e Jean-René Bernaudeau como exemplos: estão comprometidos com os sucessos cinzentos do ciclismo francês e continuam a julgar-me pelo meu passado, mas o que eles fizeram, foi perdoado. E afirma sem rodeios: Alberto Contador pensa que venceu sozinho? Nunca me agradeceu!

Jorge Garcia