Evitar o pântano

Em boa verdade, Paulo Couto, nunca esteve afastado do ciclismo nacional. Mesmo quando no exterior conseguiu sempre ter o seu olhar critico sobre a modalidade. Regressa agora a uma tarefa que conhece bem, num meio que também conhece como poucos.
Tem, no entanto, a difícil missão de refundar a Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP). Os tempos de hoje não são os da sua primeira passagem como Presidente. Por diversos factores, ao longo do tempo, a APCP foi perdendo influência até, desaparecer.
Perda de influência junto dos primeiros interessados, os ciclistas, e óbvia perda de influência e, até de respeito, junto da administração federativa. Foi mesmo esta uma das maiores responsáveis pelas maiores machadadas na APCP, com impactos financeiros negativos notáveis. Tempos de purga promovidos por anteriores direcções, mas também de pouco benéficos avanços e recuos do que resta da administração federativa, mormente, as associações de ciclismo.
Enfim, também poderemos aqui dizer que talvez Paulo Couto, enquanto presidente, tenha exagerado na defesa de alguns interesses que acabaram por ser muito pouco profícuos para o ciclismo nacional. Em exclusiva opinião, foram ultrapassados os recursos necessários na defesa de alguns ciclistas. Mas nada que justificasse as “sanções” seguintes, com claro prejuízo dos ciclistas e da modalidade.
A missão é de facto diferente e mais difícil mas, pelo que se sabe de Paulo Couto, talvez de momento não exista ninguém mais útil para levantar a moral e o estado letárgico que uma parte da modalidade atravessa. Vemos tudo parado demais. E, às vezes, são precisas umas pedradas no charco, sobretudo vindas de quem tem pontaria para tal. Podemos até nem concordar com todas as pedradas, mas não hajam dúvidas que o charco tem de ser agitado. De outra forma, torna-se um pântano.
Uma APCP mais forte, também faz um ciclismo mais forte. Assim como bons organizadores de provas puxam, com força, a brasa à sua sardinha, e que acaba por ser a sardinha de todos, também este tipo de junções de ciclistas, ou, como também se pretende, de equipas, servindo de contrapeso, também só vêm despertar consciências adormecidas demais e contribuir decisivamente para o desenvolvimento da modalidade.
Temos visto gente a mais conformada ou, até, mais preocupada com comentários políticos, do que, numa altura difícil, em arregaçar as mangas e trabalhar de facto para quem lhe paga, a Federação e, no fundo, para todos nós, o Ciclismo. No futebol lá vão levando a água ao seu moinho! Isto é como um bom ataque numa corrida, que pode não nos conduzir à vitória, mas nos garante a consciência tranquila e o apreço dos adeptos. Por todo o universo do ciclismo, urge, evitar o pântano.
Luís Gonçalves

1 comentário a “Evitar o pântano”

  1. Para quando passar por implementar contratos de trabalho em vez dos atuais recibos verdes?

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