A necessidade de pedalar

O dia 3 de Junho é consagrado ao Dia Mundial da Bicicleta, aquele instrumento fundamental que nos permite ter ciclismo, de competição, de deslocação ou simplesmente de lazer.

Como em tudo uma história feita de várias etapas, umas mais certas outras mais duvidosas. Os créditos da invenção estão repartidos podendo até recuar ao século XV e a Leonardo da Vinci.

Nos últimos tempos voltámos a dar verdadeiro uso às bicicletas. As equipas profissionais portuguesas vão-se preparando com alguma esperança. Treinos físicos, avaliações médicas, voltar à estrada em força.

Também na formação se voltaram a juntar equipas. Com a ansiedade própria dos jovens, sobretudo em idade Cadete/Junior, ainda olhando para o desconhecido. Mas, com a alegria de voltar a ver colegas que já não viam há muito e voltar às pequenas, e interessantes, picardias de treino.

A bicicleta, está, como nunca esteve, nas mãos do Estado, ou dos Estados. Ora pelo incentivo que pode ser provocado ao uso da bicicleta, como já surge de forma visível em vários países europeus (mas não em Portugal…), ora, pelo que será o delinear e desejado regresso das competições de ciclismo.

É bom existir Estado, mas não deverá existir Estado a mais, muito menos concentrar poderes de decisão num único sector do Estado. Embora a política e os políticos consigam contornar tudo, essa concentração não deixa de ser prejudicial, sobretudo quando a sensibilidade desportiva não abunda em alguns desses sectores do Estado. É perfeitamente visível que não se compreendem as paixões que são geradas no fenómeno desportivo e abunda o radicalismo sanitário.

Depois, é preciso estabelecer bem as regras que vão gerir o regresso das competições. Está à vista que se trabalha em demasia em cima do joelho ou, à carta.

O plano da UVP/FPC tem ambição para o ciclismo profissional, num ano que já será diferente e que até poderá trazer algumas surpresas pontuais e, sabe-se, olha para o que pode sobrar, o calendário dos escalões de formação com alguma expectativa. Parece bem delineado, há junção de esforços e interesses que acabam por ser comuns, o que é importante, mas não deixará de atravessar obstáculos, diremos até, nalguns casos, falsos obstáculos.

No fundo, como em todo o fenómeno desportivo, o mais essencial é que quem tem poder de decisão perceba as inevitáveis inerências económicas e sociais do desporto e, em evidência, as verdadeiras paixões que são geradas.

E, infelizmente, Portugal não é propriamente um exemplo de país desportivo. Preocupamo-nos em demasia em sabermos tudo (sabendo pouco) nas Universidades, contentamo-nos com escassas medalhas olímpicas, desvalorizando constantemente o esforço dos desportistas. São, desde logo, as próprias normas do IPDJ que desvalorizam quem tem, ou teve, uma vida no desporto.

Pelo ciclismo, por todo o seu universo, há vontade. Aguardemos com a serenidade possível, esperando que não exista inflação de problemas com o regresso.

A invenção creditada a Michaux, o pedal, tornou a nossa bicicleta conhecida como velocípede, ou seja, velocidade movida a pé. E que melhor forma de transmitir uma mensagem positiva.
Luís Gonçalves