O que veio à “rede ” esta semana

Breve resumo, do que foi dito e escrito esta semana, sobre o mundo do ciclismo, na imprensa digital

Roxana Maracineanu, a já bem nossa conhecida ministra dos Desportos Francesas, anunciou esta semana a um canal de televisão francês que está a considerar limitar a capacidade do Tour. No início de Maio a ministra tinha dito que a prova nunca aconteceria sem público porque a mesma precisava da presença dos adeptos e da sua alegria. Entretanto, está já um pouco mais prudente e diz que o seu maior desejo é que o Tour e o Roland Garros sem público são inimagináveis. Assim a medida que está a ser estudada é um meio-termo, nem sem público nem com o público habitual. Todos os espectáculos em França estão a seguir as recomendações da OMS e por isso estes grandes eventos desportivos vão de certeza acontecer. Com menos público e com grande controlo sanitário.

O Mundial de Estrada na Suíça deste ano, tem definitivamente luz verde, ou seja vai decorrer como previsto de 20 a 27 de Setembro entre a região suíça de Aigle-Martigny, informou o L´Équipe. Apesar de no momento as autoridades suíças não autorizarem eventos e reuniões com mais de 1.000 pessoas essas limitações já terão sido revogadas em Setembro. As dúvidas que existiam quanto à realização dos Mundiais quase à porta da sede da UCI foram finalmente dissipadas. Foram aventadas hipóteses dos Mundiais se realizarem em países do Golfo Pérsico, como o Quatar ou Omã.

Tom Dumoulin, ciclista holandês da Jumbo-Visma, vencedor do Giro de 2017 e campeão mundial de contra-relógio, decidiu renunciar ao Movimento por um Ciclismo Credível. A sua actual equipa não pertence ao MPCC. As causas da sua renúncia nada têm a ver com o não alinhamento da sua equipa ao Movimento, mas porque existe uma discrepância dessa organização com o uso de cetonas, um suplemento alimentar que melhora o seu desempenho de treino actual. A Jumbo-Visma usa cetonas. Em declarações a um site holandês, disse que gostava da filosofia do MPCC. Que vão em busca de um desporto mais limpo. Diz o ciclista que as cetonas são legais, são um excelente complemento, mas controverso, porque está associado a uma melhoria do desempenho.

Chris Froome já desfez os boatos que o davam de saída da Ineos antes de Agosto. Várias publicações dão conta que o britânico quem cumprir o contrato com a Ineos em vigor até 31 de Dezembro de 2020. Mas isto não obsta que Froome não possa negociar com outra equipa para 2021. O alto salario, cerca de 4,5 milhões de euros por ano, só estará ao alcance de muitos petrodólares. Mas, o inglês se está motivado a querer ganhar mais um Tour terá que ter uma equipa muito forte, principalmente para a montanha, onde se produzem e desgastam a maior parte das equipas. Mas haverá outros motivos para que Froome continue na Ineos a auferir altos rendimentos na melhor equipa WorldTeam, se tirar da cabeça a ideia do Tour e pensar liderar a equipa no Giro ou na Vuelta. Só ele saberá qual a melhor opção. Mas certo é continuarmos a ver Froome por mais dois a três anos nos grandes pelotões das melhores provas do WorldTour.

Gustavo Veloso, o veterano ciclista da W52/FCPorto está de coração destroçado. A causa foi o roubo da sua bicicleta de treino e outros bens, ao saltarem os muros da sua casa na Galícia, mais propriamente em Vilagarcia de Arousa. Ao todo o roubo cifrou-se pela bicicleta de estrada da W52, uma outra de BTT, e outros artigos que segundo a participação que Veloso fez às autoridades galegas se cifram em cerca de 10.000 mil euros. Veloso não tinha a bicicleta coberta pelo seguro da casa porque o bem é da sua equipa pelo que vai ter que arcar com todo o prejuízo que este roubo lhe causou. E como diz o ditado, casa roubada, trancas à porta,para um ciclista profissional é a sua ferramenta de trabalho.

Jonathan Vaughters , o manager da EF – Education First, veio confirmar que a equipa vai competir em 2021, pondo cobro aos boatos de que a equipa não teria condições para continuar se não houvesse provas este ano. Rigoberto Urán, inclusive, informou meios de comunicação social de que se a pandemia não permitisse haver mais provas esta temporada, só umas três equipas teriam meios para continuar para 2021. A Education Firts está dedicada a viagens a escola de idiomas e a pandemia foi cancelando inúmeras dessas viagens, enviando milhares de estudantes para o on-line. Foi complicado para Vaughters convencer um corte salarial de 44% para este ano. Com isso, foi possível manter a equipa e abrir janelas de oportunidades para continuar para o próximo ano ainda mais forte com mais patrocinadores.

Alberto Contador deu esta semana a um grande jornal italiano. Falou de pormenores do seu passado como ciclista: Eu gostava muito de Pantani porque fazia coisas inesperadas e quebrava padrões habituais. Pantani teve muita influência em mim e na minha maneira de correr. Sobre os dobletes de Grandes Tours: Estar no nível necessário no Giro e no Tour não é impossível, mas temos de ter uma equipa à nossa disposição. Acho que Bernal será o único que pode repetir a façanha de Pantani e ganhar no mesmo ano o Giro e o Tour. Falando da Ineos e de Froome:

– É impensável que Froome mude de equipa este ano. Tem muita autoconfiança e isso dar-lhe-a motivação extra. O Tour será espectacular , e será difícil para o diretor desportivo a administração em prova. Com três líderes deste calibre juntos é uma filosofia que não partilho. A admiração por dois corredores de gerações diferentes:

Não ficaria surpreendido se Evenepoel vencer o Giro.Tem atuações que me levam a pensar que pode ganhar e Nibali também. Poucos no pelotão têm a sua experiência em grandes voltas.

O «Superman», Miguel Ángel Lópes, segundo notícias de alguns órgãos de comunicação social ligadas ao ciclismo, noticiaram que já assinou um compromisso que o ligará à Bora-hansgrohe por duas temporadas. A ideia do manager da Bora é renovar com Rafal Majka e contratar o colombiano para ter uma equipa mais homogénea. Tem já bons finalizadores, um todo-terreno dourado chamado Peter Sagan e uma equipa que sabe ganhar provas. Este será o ataque a tentar ganhar os grandes Tours, colectivamente e até individualmente, numa equipa que sabemos, está de boa saúde e se recomenda.

Jorge Garcia