Vinta e um anos

Enquanto esperamos a competição que, tudo indica, poderá regressar ainda com alguma vida a todo, ou quase todo, o universo do ciclismo, para ir passando algum tempo, quando o tempo permite, aproveitei para catalogar, por datas, algumas camisolas de ciclismo que tenho por casa.

Camisolas, com uma particularidade. Todas de equipas portuguesas, ou referentes a prémios disputados em Portugal, camisolas amarelas, por exemplo. O catálogo por datas já era um empreendimento pensado há muito, mas nunca com verdadeiro tempo ou oportunidade, porque exige por vezes alguma pesquisa. E, porque nalguns casos a memória já atraiçoa, até porque certas camisolas são quase iguais durante dois ou três anos, empreendimento útil.

No contexto, dei por mim a olhar para uma camisola da Maia-Cin e a tentar enquadrar o ano. Curioso será reparar que a enquadrava uns anos, poucos, mais à frente. Só depois, quando confirmei a data pelo modelo da camisola (1999) vi que, afinal, já tinham passado vinte e um anos. Podiam ser bem mais, é certo, mas já não a imaginava tão para trás.

Os mesmos vinte e um anos que tem a camisola que estava guardada ao lado dessa (se calhar não era por acaso), do Benfica. Não a camisola da Volta. A outra, bem mais bonita, do resto da época.

Os mesmos vinte e uma anos que deram a última vitória na Volta a Portugal ao Benfica, pelas pernas de David Plaza.

Os mesmos vinte e uma anos que deram um rude golpe nas aspirações do Vitor Gamito (Porta da Ravessa-Milaneza) quando em Cantanhede, às portas de Matosinhos e da festa, perdeu mais uma Volta.

Os mesmos vinte e um anos que faziam o José Azevedo (da Maia-Cin) ser ainda um jovem de cabelo abundante!

Os mesmos vinte e um anos que nos davam Joaquim Gomes no LA-Pecol, os mesmos vinte e um anos que faziam com que Delmino Pereira ainda fosse corredor do Recer-Boavista, e mais magro, e os mesmos vinte e um anos das camisolas amarelas e cor de rosa do Gresco-Tavira.
Luís Gonçalves