E…de repente já se vê luz ao fundo do túnel

A vida parece ter voltado a uma normalidade, suficientemente aceitável, para quem vive do ciclismo profissional. A maior parte dos ciclistas já treina quase normalmente. O desconfinamento era necessário a vários níveis, e tudo leva a crer que será possível cumprir a maior parte das provas programadas pela UCI para todos os níveis. Os casos Covid na Europa estão numa descida gradual, mas consistente e por isso o circo do ciclismo vive dias de esperança e optimismo. Claro que vai haver novidades quanto à forma como se vai correr, de como se vai gerir toda a logística que é necessária. Até ao Tour vai haver tempo suficiente para se estudarem todos os aspectos organizativos, com o aval de todos os agentes envolvidos e as Autoridades Sanitárias dos vários países que terão provas futuras. Estamos todos mais confiantes e mais bem preparados para lidar com um vírus que pode de facto ser «bonzinho», como disse a directora do Instituto de Medicina Molecular e finalmente começamos a ver luz ao fundo do túnel.

Sobre o futuro das equipas WorldTeams: por agora estarão naturalmente na expectativa de começarem a competir e a mostrar resultados. Há dezenas de ciclistas que terminam os seus contratos este ano e tudo farão para os renovar. Há também uma dúzia de jovens sub-23 com imenso potencial que não vão perder o ensejo de mostrar as suas qualidades. E os suspeitos do costume, aqueles que usam os dorsais acabados em 1, que mostrem a sua raça. Estamos todos a esfregar as mãos de contentes e a dizer em latim, para ser chique: habemus revolutio (temos ciclismo).

Terminam contrato este ano, com grande curriculum: Romain Bardet, Miguel Ángel Lopes, Mark Cavendish, Rafal Majka, Greg Van Avermaet, Bob Jungels, Rigoberto Urán, Thibaut Pinot, Nils Politt, Thomas de Gendt, Adam Yates, Simon Yates, Carlos Betancur, Louis Meintjes, Steven Kruijwijk, Wilco Kelderman, Richie Porte, Fábio Aru, Michal Kwiatkowski e Chris Froome. É uma longa lista de ciclistas de primeiríssima água, mas todos eles devem estar mais a pensar em acabar esta exigente época, sem mazelas nem camas de hospitais, do que propriamente numa sôfrega renovação ou de um novo contrato com uma outra equipa. Se estivesse no lugar deles, rezava para que chegasse ao final de Outubro são e salvo e depois pensaria no futuro. Não há como dizer isto de outra maneira.

De quem se tem falado muito ultimamente é de Chris Froome. O tetracampeão do Tour de França, deixou no ar a ideia de vir a poder sair da Ineos a meio da época, já que a concorrência é forte na equipa, sobretudo com um Egan Bernal que já fez saber que não vai abdicar de lutar pela sua segunda vitória no Tour. Além do Colombiano temos ainda um Geraint Thomas que também já ganhou a prova e que pode voltar a surpreender. Ninguém sabe como se encontra Froome depois do acidente gravíssimo que lhe aconteceu o ano passado. Ele disse que podem contar com ele, mas pode ser um bluff, porque nem ele sabe como estará, porque não tem competido. Uma coisa deve estar certa na cabeça dele, não será muito de o seu agrado voltar a trabalhar para Bernal ou mesmo para Thomas.

Se sair, não será fácil auferir os perto de 5 milhões anuais e ter uma equipa a leva-lo ao colo pelas montanhas acima. Não arrisco qual será a equipa que terá condições para o contratar. É um ciclista com 35 anos, feitos há poucos dias e isso não o favorece também. Vamos ter que aguardar mais algum tempo para sabermos o futuro de algumas equipas e dos ciclistas que terminam os seus compromissos com as suas equipas este ano. Está tudo ainda muito duvidoso. E não vejo motivo para que Froome saia da Ineos. A saída a meu ver era uma grande desconsideração aos patrocinadores, mas sobretudo a Sir Dave Brailsford que lhe deu tudo.
E para que os leitores façam uma ideia dos três principais ciclistas por equipa em fim de contrato, eles aqui estão:

AGR – Romain Bardet, Pierre Latour e Silvan Dillier

ASTANA – Miguel Ángel Lopes, Luís Leon Sanches e Alexey Lutsenko

BAHRAIN-McLAREN – Mark Cavendish, Ivan Garcia Cortina e Dylan Teuns

BORA – hansgrohe – Rafal Majka, Maximilian Schachmann e Lukas Postlberger

CCC TEAM – Greg Van Avermaet, Alessandro De Marchi e Simon Geschke

COFIDIS – Jesper Hansen, Luís Ángel Maté e Pierre-Luc Perrichon

DECEUNINCK – QUICK STEP – Bob Jungels, Yves Lampaert e Iljo Keisse

EF PRO CYCLING – Rigoberto Urán, Alberto Bettiol e Simon Clarke

GROUPAMA – FDJ – Thibaut Pinot, Arnaud Démare e Stefan Kung

ISRAEL START-UP NATION – André Greipel, Nils Politt e Rick Zabel

LOTTO-SOUDAL – Thomas de Gendt, Sander Armée e Tosh Van der Sande

MITCHELTON-SCOTT – Adam Yates, Simon Yates e Jack Haig

MOVISTAR – Carlos Betancur, Eduard Prades e Eduardo Sepúlveda

NTT – Louis Meintjes, Michael Valgren e Giacomo Nizzolo

INEOS – Chris Froome, Michal Kwiatkowski e Gianni Moscon

JUMBO-VISMA – Tony Martin, Steven Kruijwijk e Laurens de Plus

SUNWEB – Nikias Arndt, Wilco Kelderman e Sam Oomen

TREK-SEGAFREDO – Richie Porte, Gianluca Brambilla e Bauke Mollema

UAE – Fábio Aru, Sérgio Henao e Diego Ulissi

Jorge Garcia