O que veio à “rede” esta semana

Breve resumo, do que foi dito e escrito esta semana, sobre o mundo do ciclismo, na imprensa digital

Marcel Kittel, o ex-sprinter da Katusha-Alpecin que venceu 43 etapas na sua carreira, já que decidiu abdicar da carreira de ciclista em Abril de 2019, para se dedicar à família e dizer que a vida de ciclista era óptima quando se ganha e má, quando se perde. O velocista alemão diz que está a apreciar a sua vida de marido e pai e levar a vida como Economista, o curso que entretanto tirou. Numa entrevista a um jornal holandês fala da sua vida desportiva, das suas vitórias, mas diz que descobriu uma vida fora do ciclismo tão gratificante que não se arrepende de ter deixado o ciclismo. Agora estou onde quero estar na minha vida. Competir estava-me a torturar. O nascimento do meu filho Lex,  é uma das principais razões pelas quais estou feliz por ter tomado a decisão que tomei.

Vincenzo Nibali quer ir em busca do seu terceiro Giro da sua extensa carreira este ano, que se realiza este ano entre 3 a 25 de Outubro. A quase totalidade das provas do siciliano será realizada em solo italiano, provavelmente por exigência e conveniência da Segafredo, porque o Marketing é «desenhado ao pormenor» pelos especialistas na matéria. A sua primeira prova será a Strade Bianche, depois o Giro da Lombardia e o Milan-Sanremo. O último teste antes do Giro será o Tirreno-Adriático de 7 a 14 de Setembro. Se o Mundial de Estrada na Suíça se realizar é também um objectivo para Nibali. Sendo assim o Tour passará para a responsabilidade de Richie Porte.

A Mavic que foi colocada em liquidação, conforme já noticiou o Jornal Ciclismo, pode vir a ser adquirida pelo advogado de negócios Didier Poulmaire. A Mavic foi parceira técnica de muitos anos do Tour de France, para o fornecimento principal de rodas, com a fábrica com 200 funcionários se situar em França. Mas não conseguiu sobreviver a um negócio de milhões em tempo de pandemia. A Mavic é uma das empresas mais antigas de França e abriu as suas portas em 1889 em Lyon. O advogado francês vai apresentar uma proposta pública de aquisição, rodeada de alguns parceiros especialistas do negócio.

Richard Carapaz, deu uma extensa entrevista esta semana e foi no mínimo contundente com a sua ex-equipa Movistar: eu tinha em cima de mim sempre uma faca que eu nunca sabia quando ela caía sobre mim. Disse que a equipa ao levar Landa e ele, todos os dias a estratégia mudava. Muitas vezes estávamos ambos a correr para a vitória e haveria a dúvida quem atacava primeiro. Isto não é saudável para ninguém e quem perdeu foi a equipa. A culpa foi dos técnicos, sem dúvida. Mas foi mais fácil arranjar um bode expiatório para os maus resultados da equipa. Calhou-me a mim. Quando cheguei à Ineos que foi o melhor que me podia ter acontecido disseram-me: Richard nós vamo-nos adaptar a ti e não tu a nós. Isto dá uma confiança brutal a qualquer ciclista. Este deve ser um dos segredos do sucesso da Ineos. Disse ainda que admira muito Froome e que aprendeu muito com ele. E que ele e Egan são o futuro da Ineos no que diz respeito a conquistas.

Rik Verbruggheé o técnico nacional belga e tem os olhos postos na pérola belga chamada Remco Evenepoel, a quem muito auguram como um possível Eddy Merckx. Este jovem de 20 anos que Contador aponta como um génio, é bem capaz de se tentar com um Giro completo. Não era a ideia original do técnico belga que tinha acertado com a Deceuninck-Quick Step fazer apenas duas semanas de Giro para o preparar para as Olimpíadas de Tóquio. Assim sem os Jogos Olímpicos, o que fará o jovem belga? Manter as duas semanas para ver se aguenta tamanha carga competitiva ou fará o Giro todo? Ninguém arrisca o que vai acontecer, mas se ele aguentar um Giro de 3 semanas ao mais alto nível, Contador deve ganhar o prémio do bruxo do ano ou então o olheiro do século.

Mikel Landa foi assediado pela comunicação social no período de confinamento. A nova estrela da Bahrain quer manter os patrões confiantes, de que fizeram a melhor das contratações. E vai daí, disse aos vários meios de comunicação social que se estava a «ver» no podium do Tour este ano. Aponta que estará muito motivado para lutar contra Bernal, Thomas e… Roglic. Falou também que os jovens, Evenepoel, Van Aert e Van der Poel lhe parecem muitos fortes e com mentalidades formatadas para vencerem. Falou ainda sobre a sua passagem pela Movistar e pelo documentário sobre a equipa. Diz que o que passou na serie foi a realidade. Achou que os ciclistas foram mais bem humanizados e que os erros e os sucessos estão bem documentados. Diz que lamenta não ter tido mais sucesso, mas está grato à equipa pelo tempo que por lá passou. Sobre Froome e o interesse da sua equipa na contratação do inglês, mudou de conversa…

O top ten dos salários. É o título que um jornal espanhol usou para depois escrever que são dados divulgados por um diário francês, em jeito de que, «ouvimos falar», quando não se tem o exclusivo e se quer fazer manchetes. Podem perfeitamente serem verdades, ou fake news. Mas toda a gente lê a notícia depois de ler o título e é isso que interessa hoje em dia, clicks e soundbites! Assim: Peter Sagan (Bora) – 5 Milhões euros ano; Chris Froome (Ineos) – 4,5M; Geraint Thomas (Ineos) – 3,5M; Egan Bernal (Ineos) – 2,7M; Fábio Aru (UAE) – 2,6M; Michal Kwiatkowski (Ineos) – 2,5M; Julian Alaphilippe (Deceuninck) – 2,3M; Alejandro Valverde (Movistar) – 2,2M; Vincenzo Nibali (Trek) – 2,1M; Richard Carapaz (Ineos) – 2,1M. É este o Top Ten dos salários.

Floyd Landis é americano e venceu o Tour de França de 2006 mas acusou positivo na 17ª etapa. O ex-ciclista é o principal delator do caso Lance Armstrong. No próximo dia 24 vai para o ar o documentário sobre Lance na ESPN americana. E isso fez ressuscitar velhos fantasmas e ódios, sobre estes dois americanos. Landis disse que se não fosse ele a trama do doping nunca teria emergido e que espera que Lance encontre um pouco de paz. Continuou dizendo que até tem empatia pelo texano por ter ele passado por uma humilhação em público e que isso lhe doera imenso também a ele, porque sabe o quanto isso custa. Isto numa resposta a Lance Armstrong que lhe tinha chamado um pedaço de m****. Landis fala deste processo como traumatizante porque estava a lutar com alguém muito poderoso e que poucas pessoas acreditaram nele, mas sabia que a justiça se poderia ter interessado pelo caso. O resto da história já todos conhecemos.

Jorge Garcia

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