Armstrong de novo na ribalta

Muito se tem falado do novo documentário que Lance Armstrong deu corpo no canal de televisão americano ESPN e que vai para o ar, no próximo dia 24. As expetativas serão enormes, contudo, pouco ou nada adiantarão ao que já é conhecido. Aliás, cada vez que qualquer ciclista , diretor, ou massagista ou outro elemento qualquer que faça uma referência à sua carreira, o doping surge como figura central , afundando-se ainda mais, levando consigo a modalidade e quem por cá continua.

Todos eles terão um fito, obter lucros quando publicam um livro, obter uma boa receita com direitos televisivos, ou pequenas ( grandes) vinganças contra o sistema.

Muito dificilmente, no ciclismo atual vemos uma máscara de sofrimento como esta de Lance Armstrong

Cada vez que Lance Armstrong abre a boca em folhetins televisivos, a sua imagem degrada-se e é pena, que assim seja. Lance até parece ser um homem inteligente. Fez parte de uma geração em que todos os ciclistas corriam de forma igual. Não havia testes à EPO, na altura, o que comprova o desleixo das das diversas agências de antidopagem, muito mais lentas que os médicos que trabalhavam nas equipas, estabelecendo-se um limite em que, abaixo desse limite se podia correr.

O ciclismo sempre viveu de segredos, faz parte da sua cultura. O segredo da “preparação” era e ainda é meticulosamente guardado. A EPO surgiu com os italianos da Gewiss, nos finais dos anos 80, que ganhavam as clássicas de uma forma ostensiva e suspeita, até que o seu segredo foi descoberto. Era a milagrosa EPO que passou a ser utilizada por quase todas as equipas , colocando todos em igualdade de circunstâncias.

Lance entrou no sistema, ao lado de um médico caústico, na altura até venerado pela UCI e entidades ligadas ao desporto mundial. Venceu sete Tours de uma assentada, os quais lhe foram posteriormente sonegados, depois de histórias que todos conhecem. O mundo do ciclismo é mesmo hipócrita, porque na mesma época Riis, atual diretor da NTT, venceu um Tour com o hematócrito a 60, confessou afirmando mesmo que pouco se importava com isso, a sua camisola amarela atá estava nos confins da sua garagem. Richard Virenque foi expulso do Tour, conjuntamente com a sua equipa, a Festina, depois de ter sido retido um dos carros de apoio com um carregamento de EPO . E , ironia das ironias, venceu também sete Prémios da Montanha e nenhum deles foi castigado. Confesso, perdoem-me escrever na primeira pessoa, que sou um fã de Armstrong. Pela doença que o enfraqueceu, pela força psicológica que teve de ter para lutar contra a adversidade e pela sua vitória contra o cancro. Pela luta e a Fundação que criou, a Livestrong e pela grande estrutura mental que teve para aguentar todo o mal que lhe fizeram. Muitos não resistiriam, teriam morrido lentamente, suicidando-se ou deprimindo , como aconteceu com Pantani que não tinha a força psicológica de Lance, encontrando refúgio nas drogas e na depressão, que acabaria por o vitimar, abandonado de tudo e todos.

Na minha grande admiração por Lance Armstrong não me refiro às suas façanhas desportivas. Essas, deixo-as para que cada um extravase as suas conjunturas, mas aqui também devo confessar que, correndo todos os ciclistas com as mesmas condições, Lance foi, indubitavelmente um atleta de eleição.

2 comentários a “Armstrong de novo na ribalta”

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