O que veio à “rede” esta semana

Breve resumo, do que foi dito e escrito esta semana, sobre o mundo do ciclismo, na imprensa digital

A Federação Italiana de Ciclismo, enviou uma proposta de alteração de datas dos dois monumentos italianos, Milan-Sanremo e o Giro da Lombardia, incluídos no novo calendário UCI.. Assim, a Milan-Sanremo que está marcada pela UCI para 8 de Agosto, os italianos pedem alteração para dia 22, uma semana antes do início do Tour a 29 de Agosto, e o Giro da Lombardia programado para 31 de Outubro, antecipado para 8 de Agosto que era a data da Milan-Sanremo. A proposta apresentada pela Federação Italiana visa racionalizar os eventos desportivos programados. Cabe agora a palavra à UCI.

Os Mundiais de Estrada que este ano estão previstos para se realizarem em Aigle-Martigny na Suíça, apesar de agendados para 20 a 27 de Setembro, só serão definitivamente confirmada pela UCI no final deste mês. De momento na Suíça, estão proibidas as concentrações públicas com mais de 1000 pessoas até 31 de Agosto. O presidente da UCI, David Lappartient, declinou a alternativa que foi aventada, e que era fazer os campeonatos numa qualquer cidade do Médio Oriente. Mais um evento importante, que é um objectivo para muitos ciclistas, que continua em dúvida.

A Astana é mais uma equipaque declarou dificuldades. Segundo Alexander Vinokourov, gerente da equipa, disse que se não houver provas este ano, dificilmente conseguirá manter a equipa cazaque. Contudo, está confiante que se o calendário da UCI se se realizar na plenitude, é fruto do excelente trabalho da equipa de Lappartient da UCI. Apesar de achar estranho correr o Tour em Setembro e outras provas mais tarde do que o habitual, é óptimo para os aficionados por terem provas de grande qualidade para verem na TV.

Rémy Di Gregorio, ciclista da Delko Marseille Provence, até 26 de Maio de 2018, tinha sido testado positivo para EPO em 8 de Março de 2018 e suspenso provisoriamente desde Abril, acaba de receber uma suspensão de 4 anos por parte da UCI. A suspensão durará até 7 de Março de 2022. O ciclista de 34 anos já era reincidente. Tinha sido excluído do Tour de França em 2012 em condições anormais já que foi preso no dia de descanso na posse de material proibido. Na altura estava na Cofidis que o demitiu de imediato. Foi condenado a 1 ano de prisão e conseguiu a suspensão da pena em 2018. Dificilmente não será o seu final de carreira.

A Burgos BH estava há mais de um mês na angústia e incerteza em ser uma das equipas convidadas para a Vuelta. A equipa onde correm os portugueses Ricardo Vilela e José Neves já tinham sido convidados o ano passado, e tinham feito história com uma vitória de Angél Madrazo na 5ª etapa com uma chegada em solitário ao Observatório Astrofísico de Javalambre. Apesar de vir a ser a última classificada como equipa, a perseverança de Madrazo deve ter contribuído para este convite que surgiu nos últimos dias para a participação da equipa na Vuelta 2020. Para o bragantino Ricardo Vilela se for convocado, será a 4ª Vuelta. Já José Neves será uma estreia.

A Ineos, a empresa petroquímica inglesa que injecta na sua equipa de ciclismo perto de 45 milhões anuais, foi notícia esta semana por razões económicas. Um dos negócios de Sir Ratcliffe um dos homens mais ricos da Grã-Bretanha e um dos donos da Ineos, é o petróleo, onde a sua empresa Ineos Group e a PetroChina são parceiras de negócio. Com a queda abrupta do preço do crude, obrigou a uma urgente injecção de capital que envolve o pedido de 500 milhões de libras de empréstimo aos Governos Ingleses e Escoceses. Para já não se vislumbra que esta crise do petróleo possa afectar a equipa de ciclismo, mas se ela for de longa duração, as certezas passam a dúvidas.

Simon Yates um dos gémeos da Mitchelton-Scott, deu uma entrevista a um jornal espanhol esta semana, por videoconferência, na sua casa em Andorra. Diz que só foram autorizados a treinar a semana passada a cada dois dias e somente por duas horas e sozinhos. Diz que se tem divertido com o Zwift mas a ausência de um objectivo, o da vitória, sempre, é que tem sido o principal problema para ele. Tinha como objectivo para este ano o Giro e os Jogos Olímpicos. Sem as Olimpíadas a equipa terá que reformular toda a época e queixa-se de que vai ser um final de temporada muito, muito, intenso.

Nairo Quintana participou esta semana numa conversa via Zoom com conhecidos jornalistas numa rede social e disse que a saída dele da Movistar estava pensada porque estava a necessitar de um novo ar, sem polémica nem guerras. E saiu para continuar a fazer aquilo que mais gosta com paz e sossego. Disse que se adaptou bem aos simuladores e que estão à espera que o governo colombiano dê ordem para que os ciclistas possam ir para a estrada. Não faz ideia como estará o seu nível competitivo. A Arkea foi convidada para o Tour e será esse o seu objectivo principal para esta época. Pensa participar no Dauphiné e numa prova nas Ardenas antes do Tour. Nota-se um Nairo muito mais solto e feliz. E quem sabe, ainda nos fará alguma surpresa este ano.

Mads Pedersen o dinamarquês actual campeão do Mundo de Estrada, parece também padecer a maldição da camisola arco-íris. Depois de ser coroado em Setembro de 2019 de uma forma surpreendente, herdando a camisola de Valverde, o final da época foi discreta e sem terminar nenhuma das provas que participou. Este ano começou na Austrália com um 132 º lugar na geral e fez mais 5 provas sem grandes destaques e a ultima, a Paris-Nice, abandonou na penúltima etapa para rumar ao seu país. Segundo dizem, está com alguns quilitos a mais e talvez descrente com o futuro do ciclismo.

Jorge Garcia