2019 – o ano dourado do ciclismo

As datas marcam-nos para sempre. Os anos das catástrofes ficam-nos marcadas para sempre, como o terramoto de 1755 ou a implosão das Torres Gémeas em 2001. E por aqui adiante, porque nunca mais acabava de debitar datas e anos de coisas que aconteceram, umas boas e outras más.

Acho que alguns estarão de acordo comigo, de que o ano de 2019 foi o melhor ano de sempre para o ciclismo. Internacional e Nacional. Porque: nunca houveram tantas provas internacionais como no ano passado e o nosso calendário caseiro podia ter sido melhor, mas também não foi mauzinho de todo.

O Giro, o Tour e a Vuelta, tiveram vencedores inesperados. E isso foi bom. E apareceram novas vedetas, todas muito jovens que nos fazem acreditar que o futuro da modalidade está assegurado. As transmissões televisivas chegam-nos desde o Km 0 e os spots publicitários passam dezenas de vezes ao longos das 4 ou 5 horas de prova. O ciclismo atingiu, o ano passado, níveis de audiência televisiva inimagináveis, com grande retorno financeiro para os patrocinadores e para quem as transmite.

A chegada da ultima etapa da Volta a Portugal aos Aliados foi apoteótica, com milhares na rua e a ver em direto pela RTP. O ciclismo atingiu finalmente o limiar da maturidade. Ficamos todos inundados de confiança para o futuro. E havia motivos para tal.

E eis que entrados num ano com um numero para mim simpático, 2020, nos está a minar tudo o que se fez no passado. As pedras do dominó colocadas firmemente na vertical pela modalidade, através da UCI, Federações Internacionais e Associações Nacionais, fruto de muito trabalho e de um grande esforço financeiro, vão tombar uma a uma, perante o nosso desespero. E agora, desgraçadamente, deixamos de ter grande confiança no futuro da modalidade. Passamos de um ano dourado de 2019 para um ano cinzento de 2020. E não sei se a escala de cinzentos vai pender para os escuros ou para os tons mais claros em 2021.

E como as coisas boas devem ficar para a história, vamos recordar os números e os nomes das equipas que participaram no último Tour de France. A Grande Boucle que poderá ficar para a história e que a possamos um dia recordar, quiçá, como a melhor de sempre. A ideia será dar a conhecer os patrocinadores e os valores que são despendidos na melhor prova do Mundo.

ORÇAMENTOS DAS EQUIPAS WT PARA O TOUR DE 2019:

AGR La Mondiale (França) – Seguradora especialistas em Proteção Social e Patrimonial Francesa. Orçamento 7,5 milhões de euros

Astana Pro Team (Cazaquistão) – Patrocinada por uma série de Empresas Publicas do Estado do Cazaquistão. Orçamento 13 milhões de euros

Bahrain Mérida (Bahrain) – Financiada por um grupo de empresas do Estado do Bahrain e das bicicletas Mérida. Orçamento 4.5 milhões de euros

Bora – hansgrohe (Alemanha) – Bora – Equipamentos inovadores para cozinhas com sede na Alemanha e a hansgrohe – fabricantes de acessórios sanitários também de origem Alemã. Orçamento 11 milhões de euros

CCC Team (Polónia) – Fabricantes de calçado a operar em vários países no retalho. Orçamento 11 milhões de euros

Deceuninck – Quick Step (Bélgica) – Deceuninck – Produtora de janelas e portas em PVC e revestimentos para interiores de capital belga e a Quick Step – Fábrica pavimentos laminados, de madeira e vinil também de origem belga. Orçamento 11,5 milhões de euros

EF Education First (Estados Unidos) – Empresa de Educação Internacional focada em várias áreas da Educação. Orçamento 7,5 milhões de euros

Groupama – FDJ (França) – Groupama – Grupo de empresas mutuais agrícolas francesas e a FDJ – Operadora de jogos de lotaria francesa. Orçamento 7 milhões de euros

Lotto Soudal (Bélgica) – Lotto – Operadora de jogos de lotaria belga e a Soudal – Empresa que se dedica a produtos de selagem, espumas e adesivos com sede na Bélgica. Orçamento 9 milhões de euros

Mitchelton – Scott (Austrália) – Mitchelton é uma grande produtora de vinhos australianos e a Scott- Fabricante de bicicletas com sede na Suíça. Orçamento 8,5 milhões de euros

Movistar Team (Espanha) – Marca comercial da empresa de telecomunicações espanhola Telefónica. Orçamento 10 milhões de euros

Team Dimension Data (África do Sul) – Empresa especializada em serviços de tecnologia da informação sediada na África do Sul. Orçamento 8 milhões de euros

Team Jumbo – Visma (Holanda) – Jumbo – Grande cadeia de Hipermercados e Supermercados a operar na Holanda e na Belgica e a Visma – Fabricantes de software e tecnologia, com sede na Noruega e a operar em dezenas de países. Orçamento 9 milhões de euros

Team Katusha – Alpecin (Suíça) – Katusha – Organização que engloba negócios de roupa desportiva e de viagens ligadas ao ciclismo com sede na Suíça. Alpecin é uma marca de shampoo de origem Alemã. Orçamento 8 milhões de euros

Team Sky ( Inglaterra) – Televisão por cabo com sede em Inglaterra. Orçamento 24 milhões de euros

Team Sunweb (Alemanha) – Grande grupo holandês dedicado a viagens pela Europa. Orçamento 8 milhões de euros

Trek – Segafredo (Estados Unidos) – Trek – Marca de bicicletas com sede nos Estados Unidos e a Segafredo – Marca de cafés italiana. Orçamento 7,5 milhões de euros

UAE – Team Emirates (Estados Emirados Unidos) – Patrocinada pelos Estados Árabes Unidos. Orçamento 7 milhões de euros

Em relação à época de 2020, houve algumas alterações que foram as seguintes:

A licença inglesa da Sky foi adquirida pela INEOS – Uma empresa multinacional com sede em Inglaterra, ligada aos produtos químicos e gás.

A NTT – Uma empresa de telecomunicações que domina o mercado japonês, adquiriu a licença da Team Dimension Data.

A Israel Cycling Academy comprou a licença da Katusha – Alpecin e é um projeto financiado pela Star-Up Nation Central e do empresário Sylvan Adams e adota o nome Israel Start-Up Nation.

A Cofidis – Instituição financeira francesa, subiu de escalão e passou a ser a 19ª equipa WorldTeam ( a nova denominação que vem substituir World Tour) pela primeira vez na historia.

Entretanto a Bahrain consegue a preciosa parceria com a experiente McLaren quer na parte financeira, mas sobretudo para as inovações tecnologicas trazidas pelos ingleses da experiência na F1.

A UCI alterou em 2020 a nomenclatura de WorldTour Teams para WorldTeams e ProContinental Teams para ProTeams.

Jorge Garcia