Afinal o ciclismo é uma modalidade desportiva

O mundo do ciclismo está agitado, vai continuar agitado e a sua acalmia não será para breve. Dependendo exclusivamente dos patrocínios, as grandes equipas do World Tour interrogam-se e questionam uma nova forma de financiamento que passaria, entre outros meios, pelos direitos televisivos que, por enquanto são de exclusiva propriedade das entidades organizadoras de provas, os mais fortes Flandres Classic, ASO e RCS.

Todas com um grande volume de negócios, que ultrapassam barreiras inimagináveis, que lhes permitem alargar o seu volume de orgsanizações para além fronteiras, em especial a RCS e a ASO.

Mas se os organizadores vão fazendo pela vida, com diferentes formas de negócio, e onde tudo é possível para arrecadar dinheiro, já as equipas vêm o seu futuro muito sombrio. Quase todas elas estão prestes a entrar numa espécie de bancarrota, para a qual necessariamente não descortinam uma luz ao fundo do túnel. Dizem os mais conhecedores do meio , que numa situação extrema, que seria sem o Tour este ano, apenas três não fechariam as portas em 2021, pelo menos nos atuais moldes. Falta saber quem serão estas três, uma todas sabemos é a Ineos, as outras duas colocamos algumas interrogações, mas inclinamo-nos para a QuickStep e a Movistar. O que importa também discernir, no meio de tudo, é a excessiva sumptuosidade dessas mesmas equipas.

Uma equipa do World Tour, quando participa nas principais provas mundiais, se eventualmente todos os componentes da equipa se sentarem à mesa, mais parecerá estarmos em presença de um casamento do que no jantar de uma equipa, tal é o número de pessoas, que uma formação com apenas oito ciclistas envolve. Isto sem falarmos, no acompanhamento de viaturas, um autêntico festival , dizem para preservar a imagem, com autocarros, camiões, furgonetas e automóveis, uma frota de tal maneira volumosa, que o caráter despoluidor que a modalidade transparece para o exterior, é uma machadada no ambiente.

Estamos em crer que o ciclismo de milhões, deverá em 2021 ser um pouco mais humilde, e talvez tenha existido, nesta fase da pandemia, no pensamento de muitos diretores, uma nova reestruturação para a nova temporada. Equipas com trinta ciclistas, e quarenta técnicos parece estar em vias de extinção.

Mas o que se pretende com todo este relambório, é que o ciclismo do futuro, seja mais aberto, que acabe com o circuito fechado do World Tour e que permita um nível competitivo mais alargado, movido por mais interesses desportivos e menos interesses comerciais. Afinal, o ciclismo é uma modalidade desportiva.