FPC: pode e deve-se fazer sempre mais e melhor

Em ano de eleições na Federação Portuguesa de Ciclismo, nunca um presidente congregou um consenso tão alargado como Delmino Pereira quanto à sua reeleição. Foi, indubitavelmente, o melhor presidente dos últimos trinta anos, mas como é normal, exige-se sempre mais, e pensamos que, tal como escreveu Luis Gonçalves, pode e deve-se fazer sempre melhor, partindo do principio de que nada é perfeito.

Sem procurarmos escrever sobre o que não sabemos, não vemos ou não temos conhecimento, referimo-nos nestas linhas , como é óbvio ao ciclismo de estrada e mais concretamente so setor profissional, que é, quer queiramos ou não, a coroa da modalidade. Sem ciclismo de estrada, e sem profissionalismo, a modalidade teria, obviamente, pouca expressão, mediática e junto do público ainda menos. Por isso, temos de louvar o cuidado, o esforço e a procura de soluções que a Federação e, muito em especial, Delmino Pereira, tem feito para procurar, por exemplo, colmatar o calendário do setor profissional.

Diga-se, também, em abono da verdade, que o atual presidente da Federação não é um homem de gabinete. Anda na estrada, vai a tudo, representando condignamente a sua estrutura, com um discurso fluente e muito incisivo. Tem ao seu lado , um corpo diretivo que tem feito o que pode e, muito em especial José Calado e Sérgio Sousa têm sido as alavancas que colocam na estrada muitos dos projetos elaborados e com uma assistente de direção para o setor profissional, Helena Antunes , competente e sabedora. E isto continuamos a escrever sobre o que sabemos, no que vimos e constatamos e que acompanhamos .

É pois, certo, que Delmino Pereira tem todas as condições e o ciclismo necessita disso, para que a sua reeleição seja uma realidade. Mas, tal como aqui foi dito, era bom que o atual presidente da Federação se visse livre de algumas amarras e pensasse seria e unicamente no ciclismo nacional . Naquilo que ele nos pode trazer, nos seus condicionalismos e que, de uma vez por todas, deixássemos para trás os habituais servilismos internacionais .

O nosso ciclismo é insuficiente em termos financeiros, em todos os capítulos. As equipas têm orçamentos bastante reduzidos, os organizadores vêm-se impotentes para organizar as suas provas e o calendário nacional vai-se reduzindo, e tal é a sua magreza, que quase todos morremos à fome. Evitemos os erros do passado, com as provas megalómanas que destroçaram o nosso ciclismo interno, para agradar à UCI, e centremo-nos, no futuro, que vai ser difícil, tal como disse Jorge Garcia, no nosso ciclismo, nas nossas capacidades, evitando darmos um imagem de grandeza , quando na verdade estamos literalmente tesos, pese a expressão.

Que se crie o departamento de ciclismo profissional, que se redimensionem os custos com a organização de uma prova de ciclismo, que se reduzam as equipas de comissários a seis elementos no máximo, que a Federação reestruture a sua organização interna, que inove e que, sobretudo, redimensione a modalidade à nossa realidade e deixe, de uma vez por todas, de tentar agradar mais aos de fora ( UCI) e pense mais nos nossos problemas internos. Se o nosso país não tem uma única formação profissional continental, houve uma o ano passado e deu no que deu, porque razão os organizadores da Volta a Portugal procuram aumentar o nível da sua prova, como se isso fosse motivo para trazer mais e melhores equipas à nossa prova rainha. Que cuidem bem do que têm e valorizem o produto, é essa a sua finalidade, transformando a Volta na maior festa itinerante do nosso país.

Quanto à Federação, é bom que se exija mais, porque temos a certeza que é possível fazer mais, inovando e, sobretudo, regulamentando de acordo com as nossas necessidades .

JS

One thought on “FPC: pode e deve-se fazer sempre mais e melhor”

  1. Em resumo: a federação que nivele por baixo para a mediocridade que campeia se sentir mais representada. Lamentável visão de alguém ultrapassado.

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