Assim vai o ciclismo

Os dias vão passando, com alguma lentidão, para quem não tem grandes ocupações, e os treinos indoor são um lenitivo para milhares de adeptos da modalidade. Há falta de provas de ciclismo, algumas estações de televisão vão reproduzindo imagens de provas antigas,m como o caso da emissora pública belga, VTR que conseguiu o seu climax de audiência ontem, com a passagem da corrida Gent Wevelgen de 2015, com 400 mil espetadores pregados ao televisor.

As novidades são poucas, sucedem-se records um pouco por todo o lado, e mais recente repto foi lançado pela organização da Volta à Suíça, que vai organizar esta competição do WorldTour totalmente virtual entre 22 e 26 de abril. Todas as equipas que iriam ou irão participar no Tour da Suíça na estrada em junho, que ainda não foi adiado, receberam um convite com três ciclistas por equipa para poderem participar neste evento internauta.

É assim que você ainda pode competir: o Tour da Suíça vem com uma colher e permite que os profissionais façam um percurso virtual

O projeto que surgiu em colaboração com Velon, une uma dúzia de equipas do WorldTour e consiste numa série de cinco corridas individuais na plataforma online Rouvy. Os dados dos ciclistas apresentados pelos avatares em 3D , com a velocidade e potência, a serem mostrados aos espectadores. Vários ciclistas também poderão ser vistos através de webcams.

O ciclismo vai-se pois mexendo, mas maioritariamente para más notícias e indícios pouco positivos, para o resto da temporada e para a que há-de vir em 2021. No epicentro do ciclismo profissional, algumas equipas reduziram os salários dos seus ciclistas, a Astana cortou 30%, tal como a Lotto-Soudal que enviou para a “chômage” 25 dos seus funcionários e com algumas equipas a enviarem para o fundo de desemprego trabalhadores e ciclistas. As organizações vão lutando por um lugar no curto calendário que se avizinha, se é que haverá lugar para provas em 2020, e a ASO, organizador do Tour colocou como data limite, para o sim ou para o não a sua realização , no final de maio. E por falarmos em datas, um pormenor pouco aliciante para a nossa Volta em 2021, que vai ter de lutar em termos mediáticos, com os Jogos Olímpicos que se realizam de 23 de julho a 8 de agosto, coincidindo com a nossa prova. e com o Tour, em pelo menos três dias.

E por cá ? As novidades não são muitas. Os ciclistas profissionais podem treinar na estrada, tendo para o efeito uma autorização oficial para o efeito, o que se compreende, dado o tipo de trabalho que exercem, e compreende desde que o façam individualmente, sem pausas e por locais mais recônditos. Se repararmos bem, o ciclista não toca em nada. Sentado na bicicleta não tem sequer contacto com o chão e não é um meio de transmissão do vírus e são apenas cerca de 80 atletas. O problema, porém, não está neste reduzido grupo de ciclistas, mas sim nas dezenas de praticantes que continuam a rolar em grupo, como se nada se passasse.

As previsões no regresso à estrada não estão definidas, e só no final de maio , eventualmente, se poderá efetuar uma projeção de um novo calendário.

Delmino Pereira, presidente federativo, tem estado bastante ativo, procurando uma alternativa para os meses de julho a Outubro, período em que pretende incluir as principais provas do calendário nacional. O importante é saber se a estrutura que gere a modalidade está preparada para dar resposta a este avolumar de competições. A Federação não tem departamentos específicos para os diversos setores do ciclismo de estrada, daí que o trabalho a realizar em todos os escalões, seja conduzido pelas mesmas pessoas, o que não é a melhor solução para um curto período em que se irão concentrar uma série de provas.