Ter memória

O desporto vive de memórias. O ciclismo, em especial. Podemos ter memória da vivência das situações, ou memória alcançada a ver, ler e sobretudo ouvir falar sobre a modalidade. E ninguém vive sem essa memória.

Há uns tempos, numa apresentação de uma equipa nacional (Feirense), que tem associação a uma equipa de formação (SCSJVer), entre a plateia, fez-se notar a presença de inúmeros ex-ciclistas, de várias gerações diferentes, acumulando vitórias na geral da Volta a Portugal, também em etapas, inúmeras vitórias em todas as corridas nacionais, algumas internacionais, presenças no Tour, no Giro e na Vuelta.

Ciclistas que já foram, ou são, directores desportivos, organizadores, presidentes de Associações de Ciclismo, presidentes da Federação de Ciclismo ou colaboradores habituais da modalidade.

No quadro, um dos jovens presentes (Cadete de primeiro ano) pergunta apontando para um dos presentes, com algum desdém: “quem é aquele?”. Seguiu-se curto diálogo com o treinador: “não sabes quem é?!”, “Não…”; “E o da fila de trás, sabes quem é?”; responde de imediato o jovem “Ah, esse é o Frederico Figueiredo!”; Continuando: “E o da fila da frente continuas sem saber? E quem está ao lado dele?” – “Sei lá, é o pai dele?”; “Bem, de certa forma…”

Ora, resumindo. A estrela já identificada era de facto o Frederico Figueiredo. Os desconhecidos, o Manuel Zeferino e o José Azevedo…
Não podemos, obviamente, conhecer toda a gente, mas, a quem pretender ser ciclista será de toda a utilidade ter memória do Manuel Zeferino e do José Azevedo, como do Agostinho, do Alves Barbosa, do Nicolau e do Trindade. Quanto mais longe chegar o nosso alcance, mais sucesso teremos. Pelas mais variadas razões, até desportivo!

Ah, como relato final, às vezes também é difícil fazê-los acreditar (aos jovens) que, por exemplo, o Eduardo Correia, com o abdominal bem definido que tem actualmente, foi terceiro na Volta a Portugal e completou uma Volta a França. Mas lá virá o tempo em que acreditarão nisso!
Senão qualquer dia também não acreditarão que o Gamito, que era sempre segundo classificado, confirmou finalmente a sua Volta, então já de amarelo, ultrapassando, na estrada, o Moller no CRI final da Volta 2000, em Marvão. No tempo em que o Gamito era “louro” e arrancou no início da serra da Estrela, atirou o rádio ao chão (hoje daria não sei quantos francos suiços) e foi ganhando tempo, atrás de tempo, serra acima.
Boas memórias em dias de tédio…
Luís Gonçalves

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