” -A chuva e o cinzento do Larouco terá um dia de dar lugar ao sol ” – artigo de Pedro Afonso

Difíceis dias, longos pensamentos, imensas recordações, perspectivas futuras complicadas. Todos sabíamos que a saúde é o direito superior para todos, mas hoje percebemos muito melhor essa dimensão. O ciclismo como tudo resto, virá sempre, e só, depois de garantida a saúde de todos.

Março e Abril sem clássicas, Maio sem Giro, Julho/Agosto muito provavelmente sem Tour, para os amantes deste desporto não está a ser fácil digerir isto tudo e só agora estamos no início.

Mas é sobre o ciclismo nacional que pretendo fazer uma pequena reflexão.

Para os amadores será uma primavera sem passeios e/ou granfondos, de norte a sul a primavera será diferente. Muitas localidades já não passam sem a animação das bicicletas, Régua, Bragança, Monção, Melgaço, Barcelos, Vieira do Minho e muitas outras, já não se imaginam sem as suas provas.

Por todo o país ninguém sabe como vão ser os próximos tempos, algo parece certo, os rolos vão fazer muitos mais kilometros do que o previsto.

Se para os amadores não será fácil, para o ciclismo profissional nem imaginamos.

Março/Abril/Maio sem Arrábida, Alentejana e muito provavelmente sem Castilla y Leon, Madrid, Astúrias, Aldeias do Xisto, GP O Jogo. Provas nacionais e outras, com muitos nacionais, provocam um vazio total.

No ano de consolidação do GP O Jogo, de mudança do GP Jornal de Notícias, mas também o ano do afastamento do Sporting, esperamos todos para voltar muito em breve com um projecto muito mais sólido. Ano em que no país, com muito custo, sobreviveram 9 equipas. Marcas que apostaram muito e agora não vêm retorno. Projectos interessantes que ficam desfeitos. Ninguém neste momento pode avaliar as perdas, organizadores, equipas e ciclistas devem passar noites sem dormir.

Os admiradores da modalidade também estão atordoados. Mas serão os adeptos da modalidade que irão ajudar a dar volta a este cenário.

Muitos de nós não passam sem a Sr. da Graça, Fafe, Bragança, Braga, Sta. Luzia, ou até na vertente amadora sem o Muro do Sabor. Numa altura em que alguns de nós já estávamos a idealizar os locais de eleição para este ano, não sabendo ainda dos concretos percursos dos GP’s, das pequenas voltas ou da Grandíssima, no nosso íntimo já se avistavam dias grandes de ciclismo. Muitos de nós dificilmente passam sem isso, mas saber que agora os sobrinhos também o exigem, tal como eu exigi um dia, deixa a esperança. Se este ano não for possível no próximo será em dobro.

Para os amadores o Gerês, o Douro, o Muro do Sabor (este um dia terá de ser aproveitado pelos profissionais, que lindo final de etapa daria, inovando e trazendo novas vilas e/ou cidades à Grandíssima) entre muitos outros com grande potencial e capazes de atrair multidões, serão novamente palco de grandes dias para as duas rodas.

A nível profissional tudo voltará, nós público exigimos, os organizadores irão perceber novamente as necessidades, as marcas perceberão o potencial e os ciclistas darão, como sempre deram, espetáculo, seja nos sprintes, nos muros ou nas montanhas.

A chuva e o cinzento do Larouco terá inevitavelmente que um dia dar lugar ao sol, o ciclismo irá ressurgir forte, adeptos continuará a ter em quantidade, e ciclistas, os heróis, continuarão a apaixonar-nos com os seus feitos.

A Alentejana estará de volta, os GP’s também (porventura com mais dias e com melhores calendários), era bom que aparecessem novamente algumas voltas, como sejam a Volta ao Minho (esta faz muita falta) e o GP Nacional 2 (também com enorme potencial).

A Grandíssima podia bem passar a duas semanas que nós, na estrada ou pela televisão, iríamos mostrar que isso daria retorno.

PEDRO AFONSO