Do Alentejo para o mundo

O pelotão português, pintado com algumas equipas estrangeiras, teria chegado a Évora neste último Domingo, finalizando a 38ª edição da Volta a Alentejo.
Estaríamos, hoje, com certeza, com bem mais que dizer e com disputas de ideias bem mais interessantes, sabendo quem sucedia a João Rodrigues, ou se era o próprio que igualava Carlos Barbero. Mas não tivemos a Alentejana. Factualmente é assim. E também não podemos, nem devemos, entrar numa espécie de depressão por causa disso. Bem ou mal, esperemos pelo futuro.
A Volta a o Alentejo sempre foi das corridas mais móveis do calendário português. Estabilizada em Março, nos últimos anos, já percorreu uma boa parte dos meses competitivos existentes. Não se quer com isto dizer que seja fácil movê-la agora, nesta conjuntura, mas se há prova móvel é a Volta a Alentejo.
O Alentejo sempre nos deu alguns nomes interessantes. Sobretudo consultando as listas de participantes. Não raras vezes, jovens desconhecidos quando por cá andam. Em 2008, por exemplo, o 50º classificado, número redondo, foi um então indiferente ao público Geraint Thomas.
Aliás, neste campo, 2008, foi um ano pródigo para o ciclismo português. Um “invisível” e ainda um pouco “balofo” Christopher Froome, pedalava em três, isso três, das nossas competições: Volta ao Algarve, Grande Prémio Ctt e Volta ao Distrito de Santarém.
Esta Volta ao Distrito de Santarém, teve poucas edições (de memória, duas ou três), não tinha muito público nas etapas, mas trazia por cá algumas das melhores equipas do mundo e fez andar por cá, nesse 2008, Andreas Kloden e Thomas Voeckler. Naturalmente, para além do jovem Froome e do jovem Tejay Van Garderen.
Regressando à Volta ao Alentejo, obviamente que na lista de participantes (e vencedores) nos salta à vista desarmada Miguel Indurain, um dos ícones do ciclismo mundial. Diz-se que na etapa desse ano que terminou em Elvas, um convento de freiras de Badajoz fez-se representar na rua apenas para ver o espanhol.
Não somos freiras, nem frades, mas tal como agora nós vamos a Algarve ver Nibali, Evenepoel, Contador, Armstrong ou, o tal Geraint Thomas.
Mas a falta que a Volta ao Alentejo faz, e muita, é essa. A de conseguir, de certa forma, projectar o futuro no ciclismo mundial. No ano passado, em 2019, vimos todos Sergio Higuita ganhar uma etapa. Um jovem colombiano, também então desconhecido e que agora também já é do mundo.
Luís Gonçalves