2021 será diferente para equipas, ciclistas e organizadores

A actual situação que vivemos, trás o caos em questões de saúde publica, com consequenciais a vários níveis e um inimaginável mundo novo. Não é para tentar ser profeta daquilo que não sabemos, muito menos temos a certeza se também cá estaremos daqui a uns meses para ajudar reinventar um novo país numa nova Europa. Ninguém está imune ao vírus.

Mas não há nada de profético dizer que o ciclismo não vai morrer. Como não vão morrer as outras modalidades desportivas mais importantes. Esta situação calamitosa, apenas vai obrigar a fazer um reset e esperar que o sistema arranque em modo de segurança, que para os menos informados era uma forma de fazermos arrancar o Windows quando alguma coisa corria mal no sistema operativo da Microsoft.

Quando daqui a uns meses a UCI fizer o reset ao sistema vai encontrar uma dúzia de equipas ProTour ainda com condições de continuar, Não certamente com os mesmos orçamentos, porque vai haver patrocinadores que colapsaram. Vai haver organizadores como a ASO que vão continuar a ter condições de organizar provas. A ideia de entrarmos em modo de segurança no windows é a capacidade de repormos uma a uma as aplicações não afectadas e retirarmos a que colapsou e nos deu cabo do sistema. Mas para a UCI, o ciclismo não colapsou, o que ruiu foi a estrutura que ao longo de muito anos permitiu que a modalidade prosperasse. É como rever a implosão das Torres Gémeas em 2001. A partir daí o mundo mudou e essas mudanças foram fundamentais para que houvesse melhoria nas condições de segurança aérea no mundo.

Em termos desportivos, pessoalmente acho que se houver Jogos Olímpicos de Tóquio, ainda poderá haver Vuelta e uma mexida de ultima hora na calendarização de algumas provas importantes que ficaram canceladas, poderiam trazer algum ânimo à modalidade. Se não houver Jogos Olímpicos não acredito que haja Vuelta e forma de remendar o calendário.
Todas as equipas estão neste momento a fazer contas à vida. O dinheiro não vai dar para tudo e terão que fazer escolhas. A maior parte dos ciclistas vai ver o seu vencimento reduzido drasticamente.

Estamos convencidos que 70% das equipas não terá condições para competir em 2021. E a UCI vai ter que reduzir significativamente as provas nos próximos anos. E consequentemente o numero de ciclistas será reduzido para metade. Quem tem mais de 30 anos dificilmente arranjará equipa.

Esta calamidade vai arrasar com tudo. Com economias, com sociedades e não faço ideia se o FMI terá dinheiro para acudir a todos os países.

A única palavra de esperança que posso neste momento partilhar com os leitores do Jornal Ciclismo é que as baixas sejam poucas porque as nossas bicicletas, essas, vão sobreviver e estão ansiosamente à nossa espera.

E agradecer aos editores do Jornal Ciclismo a possibilidade de desabafarmos um pouco quando as coisas não correm de feição e de nos publicarem esse desabafo. Hoje pensei no futuro da modalidade e quis partilhar convosco.

Jorge Garcia