Treinar com prudência

Apesar do presente, pensa-se, e bem, no futuro. Com o início da competição, por enquanto, empurrado para as calendas de Junho e muitas provas recolocadas no calendário, o treino e a forma dos atletas continua na ordem do dia.

Se é certo que nesta fase, sem competição, a necessidade de muito treino é mais esbatida, no fundo, até afectará a moral e a vontade quando for de facto preciso treinar, também não deixamos de ter um pelotão a duas velocidades. Ciclistas que podem treinar, nalguns países, em certos casos quase livremente, outros com alguns condicionamentos de utilização do espaço público e de tempo de treino, outros, de todo, sem poderem treinar na rua. E, por mais que existiam meios caseiros e on-line, não deixa de ser este o treino fundamental. Aliás, os outros são tantas vezes enganadores e até perigosos para estados de forma, nomeadamente, para quem não os utilizar com prudência.

Surgem já ideias de uma janela de treino pré-competição que permita a todos partirem da forma mais igual possível para a competição. De qualquer das formas, a existir, este ano teremos sem dúvida um Tour esquisito.

No contexto, Nairo Quintana, parece continuar a sua senda de azar com o Tour. Num ano em que evidentemente está diferente, mais forte, com motivação extra, já ataca de longe, porventura, definitivamente solto das forças que o prendiam, Quintana pode ver mais uma vez um sonho adiado. Não diremos que vencia, de caras, o Tour. Mas, nos últimos anos nunca terá sido tão verdadeiramente candidato. Numa equipa que não é assim tão frágil como se possa pensar, livre de movimentos, com o apoio dos franceses (a não ser que lutasse contra Pinot ou Bardet). No mínimo, provocaria (ou provocará) revoluções interessantes na corrida.
Voltando ao treino, em Portugal, tudo a meio gás e sempre de forma isolada.

No decurso da próxima semana os ciclistas profissionais e os de alto rendimento terão um documento comprovativo da situação, caso seja requerido por agentes de autoridade. Mas aqui, também a duas velocidades. No nosso pelotão, muito particular, o que é que é profissional e o que é que não é?

Aos que não estão enquadrados restará o treino por períodos curtos (de manutenção física), próximo de casa e, para todos, de forma isolada, sempre cumprindo qualquer ordem ou conselho dos agentes de autoridade. Estão aqui, por exemplo, o grosso de todos os escalões de formação. No fundo, agora, também não é preciso treinar muito, nem se deve. Treinar sem competir afecta a moral, sobretudo dos mais jovens.

A todos, os que podem sair para realizar actividade física, se pede redobrada prudência quando saem à rua. Nada de paragens desnecessárias, sair só para treinar, não está tempo para andar de manga curta e muito cuidado com situações de risco. Ninguém quer ir para o Hospital, especialmente, nesta altura, nem sujeitar-se a perder o direito ao seguro desportivo.
E uma boa parte de um bom treino faz-se com a nutrição correcta. Sobretudo quando estamos tanto tempo em casa.

Mais para a frente, lá terão de existir novas normas regulamentares a orientar as competições, também a tal janela de treino e sobretudo, muita simplicidade e solidariedade.
Luís Gonçalves

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