Depois da tempestade bem a bonança – comentário / artigo do leitor Jorge Garcia

Está lançado o debate, num momento de crise. O nosso leitor Jorge Garcia deu a sua opinião sobre o atual momento da modalidade, focou o seu comentário/ artigo na peça que ontem foi publicada por Jornal Ciclismo, artigo que teve como fulcro principal repensar o ciclismo, tendo como pano de fundo o ano de 2021. Não temos dúvida que algo vai ser diferente e que é preciso, desde já, começar a preparar o futuro. Se o artigo foi mais ou menos inquietante, compete a cada um analisar a atual situação do país e prever que, depois de tudo concluído a nível do Corona vírus, com toda a certeza que virá uma recessão económica, quase sempre lesiva para o desporto e para o ciclismo em particular. Mas vejamos o texto do nosso leitor e amigo Jorge Garcia :

” – O artigo falava que « em 2021 vamos precisar de um ciclismo novo, bem diferente do novo ciclismo ». Cada um tem a sua ideia de como deve ser o ciclismo como modalidade e em que moldes seja possível mantê-la. Creio que este artigo a que me reporto, foi escrito com um espírito inquieto e assustador que o mundo atravessa. Eu sinto o mesmo. Este Covid19 é nome de guerra. Nem sequer sei se não fará mais vitimas do que uma grande guerra apenas bélica. Hoje por hoje, temos a noção de que uma guerra química pode ser muito mais letal e não é combatida por militares. É combatida por médicos e com os recursos que terão. Mas esta situação nada tem a ver com ciclismo e pode ter tudo a ver com o ciclismo do futuro. Partindo do cenário apocalíptico desta época, perdida para a modalidade. E nem sequer vou discutir os pormenores porque este comentário nunca mais acabava. E a minha intenção é apenas focar-me em dois pontos que discordo.

Vamos então a eles: o ciclismo sempre sobreviveu à custa da publicidade e de nomes como Idalino Pinto há poucos dias aqui recordado, um empresário que apostou no ciclismo e dessa paixão fez nascer algumas equipas à época. Sangalhos, Ambar e outras mais. Era o ciclismo que víamos e revivíamos. E isto aconteceu há mais de 50 anos. Passado todo esse tempo o ciclismo de hoje continua a viver de empresários que acreditam que o ciclismo vende. E chegamos ao ciclismo de altíssima competição que assistimos na televisão há uma boa dúzia de anos. E a tendência para elevar ainda mais a importância da modalidade deve-se sobretudo a um canal televisivo chamado Eurosport que já foi aqui muitas vezes criticado. A Volta ao Algarve é cara para os portugueses? É. Mas não precisam de a fazer se isso vai pôr em causa o orçamento de uma época. E a Volta ao Algarve é importante para a região em termos turísticos e a Eurosport dá uma ajuda para a sua divulgação promovendo nos espaços publicitários a região. Por isso é um negócio bom para os organizadores, para a região e para os espectadores.

O segundo ponto que gostaria de focar é que depois da tempestade vem sempre a bonança. Muitas equipa vão desaparecer, mas estou convencido que outras vão nascer. Um pelotão com menos equipas se calhar é mais competitivo. Vamos ter calma nestes momentos de grande tensão. Na verdade ninguém sabe o que nos espera a todos. Se houver muitas equipas sobreviventes é bom sinal. Voltaremos a ver ciclismo onde quer que ele passe. Porque nada será igual como dantes.

Jorge Garcia

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