Ciclismo nacional : algumas ideias de Luís Carvalhal

Também o leitor Luis Carvalhal enviou-nos um artigo opinando a sua vivência com o ciclismo , contribuindo para o debate que lançamos com uma série de ideias que podem e devem ser estudadas e avaliadas. quanto à sua exequibilidade.

” -Sou uma pessoa atenta ao desporto e o ciclismo é das modalidades desportivas que sigo com mais afinco e paixão.
Nasci e vivi a minha juventude perto de Espanha e nos finais dos anos 80s inicio dos 90s pude acompanhar muitas corridas, onde regularmente o Boavista e Sicasal participavam. Vuelta que por esses tempos teria mais ou menos a mesma importância que a Volta a Portugal, mas que contou com o dinamismo do jornalista Jose Maria Garcia para a projetar
.

O ciclismo português atravessa um momento muito complicado, a culpa não é certamente do COVID 19, mas sim do planeamento e do modus operandi dos ultimos anos, mais precisamente desde que o médico do Joaquim Agostinho decidiu passar o Ciclismo para o Ténis(Lagos). A empresa JN estava mecanizada e identificada com este desporto e acima de tudo tinha uma pessoa com muita personalidade que não se baixava aos caprichos da UCI, organismo internacional que, depois dos casos de doping que se verificaram na Peninsula Ibérica, virou as costas a Portugal e com isso à comunidade ciclista.

Ao contrário de Espanha, onde Jaime Lissavetzky deu a cara, e de certo modo a Operacion Puerto passou olimpicamente ao lado(…)em Portugal a classe Politica não quis saber, ou seja, marcam presença sim para as fotos e cortar fitas. A propósito , não sei para quê tantas fotos ,fotógrafos nas corridas quando o necessário é stream… produção TV.

A modalidade desportiva que não passa na televisão não existe , e seria necessário a Federação, onde notoriamente é composta por elementos limitados, tivesse a capacidade de negociar ordenar e estabelecer uma nova pauta
Negociar como e com quem?
Com a UCI, ASO, e cadeias de TV ou seja, se transmitirem a Volta a Portugal têm obrigatoriamente que transmitir a Volta ao Alentejo, JN e Agostinho etc,

Com a UCI negociar e exigir a recuperação da Volta para 15-16 dias e subir a 2.PRO. Ao mesmo tempo recuperar a Porto- Lisboa , Portugal é o único Pais com tradição ciclista que não conta com provas WT. Mais , sob pena da UCI não aceitar estas medidas, retirar todas provas lusas do calendário internacional inclusive a Volta sazonal no Algarve.

Passar a Volta a Portugal para 2.12 , tão pouco seria grave dado o novo regulamento da UCI que permite equipas vizinhas não sejam considerados estrangeiros, ou seja a Volta a Portugal poderia ter os 15 dias / 3 semanas com três equipas estrangeiras + espanholas, entre essa Volta e a atual convenhamos que existem poucas diferenças dado o baixo nível das equipas presentes.

Aliás, entre convidar uma Super Froiz ou ProTouch, Swiss Racing Academy acaba por até ser mais positivo, convidar a primeira dado que atraíria mais gente e um maior nível competitivo, isso certamente não seria visto com bons olhos pela UCI, mas há que negociar.

Outras medidas relativamente ao fraco Calendário luso.

A meu ver existem demasiados Grandfondo, vejo empresas e uma grande dinamização nesse setor, podia- se contemplar uma corrida PRO por cada Grandfondo, mesmo trajeto e pessoas voluntários para ajudar na sua realização , e com isso menos forças Policiais.

Também cada vez mais escolher melhor os percursos , ou seja retirar o ciclismo das grandes estradas nacionais com muito trânsito.

Escolher as corridas de um dia para determinada época do ano.

Os circuitos finais de época estão muito bem, mas já não vendem, seria melhor juntá-los , mesmo com circuito final mas em regime de etapas e GP de uma semana, aproveitar o momento da Volta a Portugal.

Organizar uma Copa Ibérica talvez resultasse bem melhor que a actual Taça de Portugal.
Procurar que realmente se cumpram os protocolos assinados, ou seja Mallorca , Almeria, Murcia ,Valencia devem convidar as equipas Portuguesas se não a totalidade, as 4 – 5 mais fortes( Tavira ,Efapel , Porto, Boavista).

Em relação a atletas e as estruturas de algumas equipas nacionais é de grande nível. Arrisco a dizer que a melhor geração que vi é esta, principalmente na Montanha, não tenho duvidas nenhumas que gente como o Brandão, Edgar, Benta, Carvalho, Frederico, David Rodrigues, Casimiro teriam grandes prestações no Giro, Vuelta etc. Há que aproveitar melhor o produto de momento e saber vendê- lo

Se a situação do Covid 19 continuar por tempo indeterminado, procurar locais como as Ilhas para realização de provas, recuperar a Volta a Madeira, Açores para profissionais seria interessante

Esta é uma boa altura para mudar o rumo do ciclismo Português, porque se continua como está, o caminho será cada vez mais difícil.
Luis Carvalhal

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