Em 2021 vamos precisar de um ciclismo novo, bem diferente do novo ciclismo

É curioso que as únicas notícias nos sites internacionais relacionados com o ciclismo, se confinem à anulação de provas, umas atrás das outras, como se algumas delas dependessem de si próprias.

Um adiamento, suspensão ou cancelamento que, bem vistas as coisas e pela aragem da carruagem condicionará toda a temporada. Na verdade, será quase impossível que durante este ano, vejamos pela televisão o Giro, o Tour, as grandes clássicas , a nossa Volta a Portugal , isto a fazer fé pelo que nos é comunicado diariamente e a partir daqui fazer contas.

Pelo meio, muitas provas serão canceladas ad eternum, as falências de alguns organizadores será uma evidência, e a dinâmica de muitas competições que, já por si, estavam na corda bamba, dificilmente irão para a estrada em 2021. As equipas viverão os mesmos problemas, numa situação que porá em risco a sua continuidade futura. Vivendo da publicidade, e com um crise económica à vista, serão muitas as formações que ficarão pelo caminho, tal como as organizações de corridas.

Talvez por isso, se deve começar já a prever o futuro, colocando já as pedras que possam sustentabilizar um ciclismo novo . Um ciclismo que deverá ser mais contido em muitos pormenores, em especial em obrigatoriedades que, estamos convictos , terão de ser alteradas, modificadas, com menos luxos , menos taxas e exigências que passarão a não fazer sentido.

No nosso país, é bom que se pense a sério nesta matéria. Que equipas e a própria FPC se mentalizem que, para um ciclismo novo, as grandes provas internacionais possam ficar ,momentaneamente na gaveta, à espera de melhores dias e que o grau de exigência da UCI , seja contrabalançado com a nossa realidade. Já nos tempos atuais, quem mais lucrou com estas internacionalizações foi sempre a mesma entidade : a UCI. Uma entidade que nada contribuiu para o nosso desenvolvimento , que é movimentado à base de equipas Continentais UCI e que o organismo internacional pouco ou nada faz, a não ser receber o dinheiro das suas inscrições . Senão vejamos, a vergonha que consistiu a criação do Circuito Proseries. Obrigou-se todas as equipas Continentais UCI a pagarem uma verba de 3.500 euros, para ajuda a uma maior capacidade de resposta da UCI, nos controlos antidoping, uma exigência das equipas World Tour, de forma a que todas as equipas alinhem mais ou menos em igualdade de circunstâncias. Contudo, é esta mesma UCI que permite que uma equipa World Tour receba um cachet bem alto e que está previamente definido, se instale em hotéis de grande qualidade, enquanto as equipas Continentais UCI são convidadas por favor e, se quiserem correr não recebem ajudas de custo e ficam alojadas em albergues, não criando para estas uma regulamentação que lhes permita participar com dignidade e igualdade de condições com as equipas mais fortes. Dirão os tais arautos da verdade que não foi o caso da recente Volta ao Algarve, mas a prova portuguesa é disputada numa altura da época em que a grande maioria das equipas procura corridas com bons climas, para aí fazerem as suas concentrações.

A altura será de reflexão, temos muito tempo para estudar, projetar e dinamizar aquele que, isso sim, poderá ser um ciclismo novo, precisamente o contrário de novo ciclismo.

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