A ETAPA MAIS LONGA

Enquanto o Paris-Nice é a única corrida que nos anima os dias, mas acabou, nestes dias que são parados e de paragem, no ciclismo pelo menos devemos entreter-nos, e levantar a moral, recordando alguns momentos da vida ciclistíca portuguesa para todos, em tom ligeiro, nos podermos entreter da melhor maneira possível.

Obviamente, que descrever os momentos do ciclismo português, é tarefa impossível. Cada um dos seus muitos intervenientes ao longo dos anos tem, no mínimo, cem estórias para contar. Só eu já ouvi, e até vivi, alguns milhares e não me farto. Umas que se podem contar e outras que não convém contar, mas todas a construir o ciclismo nacional.

Começando pelo princípio actual, já que se prevê que esta paragem seja longa, numa espécie de estatística que já nos dão o passar dos anos, talvez seja interessante começar pelo vencedor da etapa mais longa de sempre da nossa Volta a Portugal. Em 1952, numa etapa que ligou Loulé a Setúbal, ao fim de uns agradáveis 293 km, Américo Raposo, ciclista do Sporting, foi o vencedor. O sportinguista, nascido em Lajeosa do Dão, foi um temível sprinter dos anos 40 e 50 do século passado.

Venceu o Porto-Lisboa em 1954 e foi treinador de João Roque, no Sporting. Curiosamente, em 1951, numa cidade que está agora nas bocas do mundo (sempre esteve, mas por outras razões) esteve no campeonato do mundo de pista em Milão.

Mas, nessa Volta de 1952, gozando de popularidade avantajada, Manuel Raposo, seria por vezes confundido com o seu colega de equipa Manuel Polido. Ou por outra, este, é que era confundido com Manuel Raposo.Tempos em que não existiam redes sociais, televisão em directo e em que os ciclistas, não raras vezes eram confundidos uns com os outros. Ou por serem da mesma equipa, ou por necessidade popular de proximidade real dos seus ídolos. Mas sempre idolatrados.

Mais interessante é considerar que Polido, apesar de não o chamarem pelo seu nome, ganhou uma etapa da Volta de 1952, que terminou em Viseu.
O rei dos sprinters, o grande Onofre Tavares, foi um dos heróis das etapas longas na Volta a Portugal. Etapas como já não existem.

Voltando a 1952, falou-se, até agora, de ilustres sportinguistas de sucesso nessa edição. Convém no entanto relembrar que o vencedor final foi Fernando Moreira de Sá em representação do FCPorto.

Andou-se aqui à volta, na Volta, da etapa mais longa, apenas porque estamos também a passar uma etapa que se adivinha longa. Naturalmente que o ciclismo português, é muito mais do que a Volta, do que a etapa mais longa, ou do que tudo o que possa ser aqui descrito. Vamos andando e vamos vendo, sob pena de sermos sempre injustos com o que é descrito, sobretudo pelo muito que se possa deixar de fora. Mas, teremos sempre que falar sobre alguma coisa. De momento, nada melhor que lembrar bons momentos, ou momentos interessantes, do ciclismo português.
Luís Gonçalves

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *