Dificuldades para os organizadores são cada vez maiores

A Clássica da Primavera disputada ontem na Póvoa de Varzim despoletou uma série de interrogações, numa organização à qual se tem de exigir um pouco mais , e dizemos isto porque conhecemos as capacidades organizativas dos seus promotores.

Dir-se-á que tudo esteve conforme o previsto e que o mau tempo terá, de alguma forma, também ajudado a criar um ambiente pouco favorável . Mas uma prova para o escalão principal terá, obrigatoriamente de ter um esquema classificativo eletrónico. Neste capítulo convém salientar o alheamento federativo, num apoio que deveria facultar a todos os organizadores, fornecendo os meios ideais aos comissários, para o desempenho da sua tarefa. Comissários que, diga-se em abono da verdade,estiveram um pouco abaixo do que se exigirá para uma prova, onde correm as principais equipas e ciclistas, não obstante a quantidade do seu número, e era bom que se compreendesse que quantidade não é mesmo que qualidade. E era , sobretudo, essencial para o propagado “novo ciclismo” que quem nomeia ou superintende no número de comissários a destacar para uma prova, que tivesse em linha de conta, que estamos num momento de apertar o cinto e reduzir, tal como as equipas o já fizeram, as despesas para os organizadores.

Uma organização que apresentou na linha de partida 160 ciclistas, mas teria sido bem melhor que fossem muitos menos. Como queremos numa prova para prof. e sub-23que entre a partida, na Póvoa de Varzim e a primeira meta volante, cerca de três kms, totalmente planos, cinco ciclistas tenham ficado para trás ? Mau demais e seria bom que a FPC adote medidas, de forma a não prejudicar quem trabalha corretamente e quem não o faz. Muitas equipas espanholas na prova. Para quê ? Para ajudar a aumentar a confusão no trânsito, pois a grande maioria deles ficaram para trás na primeira passagem pelo Monte S.Félix.

O trânsito é um problema nesta prova e disso deveriam ter tomado precauções sérias, quer os organizadores quer os comissários, em especial os últimos parecem não ter entendido que o ciclismo não pode parar uma estrada nacional por tempo indeterminado.

Diga-se, contudo, que o abuso dos custos de policiamento tem sido um autêntico calvário para os organizadores. As entidades policiais são prepotentes na hora de reivindicarem as suas judas de custo. O número de agentes destacados para a prova aumentam indiscriminadamente, então tudo o que meta PSP é por demais. O policiamento terá sido, no caso da Clássica da Primavera um óbice grande, o que poderá levar a organização a estudar um novo percurso, cabendo também à tutela, neste caso à FPC, tomar medidas concretas sobre o assunto, num apoio a todos os organizadores.

Um outro ponto, este sim grave, tem a ver com a atual situação do país, em relação ao Corona Virus e que e entidade que tutela os comissários, não tenha tomado medidas para instruir os seus filiados das ações a implementar. Obrigar todos os ciclistas a assinar o livro de ponto, numa altura destas, é no mínimo improvável numa modalidade desportiva organizada, até pela imagem pública que se passa para a comunidade.