A Volta ao Algarve: as diferenças e perspetivas das equipas participantes

A Volta ao Algarve, não há qualquer duvida sobre isso, é uma das mais sonantes competições do desporto nacional, reunindo um naipe de atletas de referência mundial, pouco usual nos eventos que se realizam anualmente no nosso país. Contudo, um pormenor escapa ao conhecimento generalizado da maior parte dos portugueses, que estão pouco familiarizados com a modalidade: a enorme diferença, em todos os aspetos, entre as equipas estrangeiras e as nacionais.

As equipas nacionais, as melhores deverão ter um orçamento/ano a rondar os 500 mil euros, as melhores do circuito internacional entre 30 e 45 milhões de euros cada. Perante tamanha diferença orçamental, naturalmente que se refletem nos resultados, tornando a competição desigual, desproporcional, entre as melhores equipas do mundo, organizados no nível World Tour e as restantes formações. Se atentarmos bem, poucas são as competições em que as formações continentais profissionais “metam a mão ao prato”, quando correm conjuntamente com as do escalão superior. Agora avalie-se quão distinta será a avaliação em relação às continentais UCI.

A competição torna-se desigual, desproporcional, quando por artes mágicas se consegue reunir no mesmo pelotão 25 formações, dos mais diversos patamares. Os portugueses marcam presença em grande numero, mas não será justo compará-los com os ciclistas estrangeiros, por diversos motivos, demasiado evidentes. Será o mesmo que comparar a presença da equipa de futebol do Louletano, do terceiro nível competitivo no nosso país, numa prova oficial em que participassem as equipas do Real Madrid, Manchester, Juventus, etc. Dir-nos-ão que, no futebol temos essas equipas de alto nível, revistas no Benfica, no Porto, etc e porque não no ciclismo ?

A resposta é simples, não há patrocinadores que queiram investir no ciclismo dois ou três milhões de euros numa equipa , e isto por um conjunto de fatores, dos quais e essencialmente se prendem com a falta de penetração da modalidade, e dos seus agentes no tecido social português. E uma das respostas para tudo isto, é a forma “desinformada” com que a comunicação social, por exemplo, pouco ou nada se refere à qualidade da Volta ao Algarve, de um evento de tão sublime participação. Faz-se mais referência, no estrangeiro à Volta ao Algarve, do que no imprensa nacional, isto para não falar no poder político, completamente , subjugado ao mundo do futebol.

Convém, contudo, também não embandeirarmos em arco, e analisarmos se o esforço feito pelas equipas nacionais que, para aqui estarem presentes saem com um rombo no seu orçamento de mais cinco mil euros, valerá a pena ? Assim o entendeu o Feirense que preferiu não marcar presença, face aos elevados custos obrigatórios para alinhar nesta prova. Ousamos, pois, perguntar : será que esta estrangeirada toda veio ao Algarve por esta ser uma prova do Circuito Proseries, ou pelo contrário está aqui em massa, pelo clima, pela data, pelo percurso e pelo prestígio que a corrida já granjeou ?