Abrir o futuro

No próximo Domingo, em Vagos, conheceremos o primeiro vencedor do ano, por terras de Portugal, na vertente de estrada. Depois de vários anos a abrir épocas pelo Algarve, a prova de abertura parece ter-se estabilizado por terras da Beira Litoral.
No Algarve, ou na Beira Litoral, certo é que desde que existe com este formato, é uma das provas mais reconhecidas da época. Quem acompanha de perto o ciclismo, com alguma facilidade se recordará dos vencedores mais recentes, ou até, de vencedores mais recuados no tempo. Pode-se dizer, que é uma das corridas que mais compensa ganhar em Portugal.

É tempo de mostrar novos equipamentos, novos ciclistas, com uma parte substancial do pelotão em estreia com os profissionais, esses, uma novidade que jamais esquecerão, para o melhor e para o pior, sendo que, no início de qualquer nova aventura o essencial é enfrentar as dificuldades e reconhecê-las como fazendo parte do processo evolutivo. E, como em tudo na vida, a boa sorte trabalha-se, mas também é preciso tê-la.
Pelotão jovem vincado por uma nova abertura às necessárias equipas de clube. Terão um calendário que ainda não é o ideal, ou por outra, já não recuará, dez ou quinze anos para chegar de novo ao ideal que tantos frutos deu, mas, apesar de tudo, é um calendário competitivo com evidentes melhorias em relação a anos anteriores mais próximos.

Número crescente de provas, auxiliado por um número crescente de equipas, a maioria, alicerçada em projectos formativos de longa duração e que surgem precisamente da necessidade de dar continuidade a esse processo formativo no quadro da mesma equipa, sem “abandonar” os atletas.

Ou seja, uma boa dose de equipas, que conseguem abranger todo o processo formativo, das escolinhas, aos Sub-23, estando algumas vezes, ainda, associadas a equipas continentais nacionais. Não é este um modelo fácil, sobretudo porque muito mais trabalhoso e economicamente menos acessível, mas será o modelo formativo ideal para qualquer desportista.

Diremos que as maiores pistas para o futuro estarão nestas equipas, que fazem tudo. Desde ensinar crianças de tenra idade a andar de bicicleta, a melhorar as suas capacidades, a tentar fazer de todos eles bons homens/mulheres e a passarem bons tempos no ciclismo, e de outros, para além disso, ciclistas profissionais.

Estes últimos/as, poucos, como se sabe. Não invalida isso que se dê oportunidades iguais a todos/as. E isso só se consegue em projectos formativos abrangentes, com especial incidência, das escolinhas aos Juniores, porque é de todo útil que os Sub-23 estejam integrados num linha continua de equipa, mas, apesar de tudo, já são um escalão diferente, muito próximo do que é o profissionalismo. Dito de uma forma mais perceptível, concebemos perfeitamente a existência de uma equipa só de Sub-23 (de clube), mas já custa a conceber uma equipa só de Cadetes, ou só de Juniores, sem uma base formativa própria que a sustente. É a figura do pai que pega no filho, depois de ele estar “criado” pela mãe (ou vice versa). Agora que estás alimentado, crescido, já sabes ler, escrever e fazer contas, anda cá, para dares rendimento! Mas, só em Junior. Depois em Sub-23, safa-te por tua conta. Com sorte, voltas para a tua mãe outra vez!
Luís Gonçalves