Alterem-se os regulamentos e reveja-se o comentário na Eurosport

Quando, recentemente, lançámos um olhar sobre os regulamentos nacionais para a época 2020, neste espaço que construtivamente tenta observar o ciclismo nacional, sem lançar apenas resultados ou notícias agradáveis, foi lançada uma questão sobre a Volta a Portugal de Cadetes.

Como sempre, antes, mas sobretudo após o lançamento da questão, foram ouvidos alguns intervenientes directos do meio. Relembrando, os regulamentos 2020, prevêem que, para que um corredor pertencente a uma equipa portuguesa possa participar na Volta a Portugal de Cadetes, torna-se necessária a sua participação em pelo menos uma prova da Taça de Portugal. Nos Juniores, duas provas.

Em texto anterior, criticando a norma, tínhamos avançado com a possibilidade de entrada de corredores numa equipa, o que em escalões de formação é normalíssimo, já no decurso da época (após Abril, nos cadetes), impossibilitando a sua participação na Volta do escalão. E, com a possibilidade, de esse corredor, ser o elemento necessário para uma participação exclusiva (sem necessidade de junção com outra equipa) na Volta do escalão. Situação que seria acessível no escalão de Cadetes, porque, a última prova de apuramento da Taça está agendada para o dia 25 de Abril, ainda em fase embrionária da época.

Ora, falando do assunto com gente do terreno, que anda nas trincheiras, foi posta outra possibilidade. Imagine-se que um ciclista, inscrito no inicio do ano, tem o azar de cair, lesionar-se, e ficar impossibilitado de participar nas provas de apuramento da Taça (Cadetes) e, por inerência, não ir à fase final. Uma visão puramente objectiva e literal do regulamento indica que não pode ir à Volta a Portugal de Cadetes. Injusto, nas aspirações do que pode ser um bom ciclista? Obviamente. Só não vê quem não quer, ou aprovou regulamentos de forma cega!

Bem se sabendo o que possa estar subjacente à norma, certo é que não é o Centro Ciclista de Barcelos, nem a Escola de CIclismo Alexandre Ruas, recorrendo apenas a dois exemplos da Zona A e B, que têm fomentado situações indesejáveis na formação de jovens portugueses. Aos que têm fomentado as situações indesejáveis, como prática, ao invés de serem elogiados, deveria Federação preocupar-se em chamá-los à razão, e não, prejudicar todos os outros.

Não são estas questões que parecem menores. E por falar em questões que não são menores, sem ter muito a ver com este assunto, também não resistiremos a uma outra observação. No decurso da Volta à Comunidade Valenciana, ouvimos um dos comentadores da Eurosport, praticamente, a passar um atestado de incompetência, ou pior, de insensibilidade, até algo insultuoso, aos membros do staff das equipas de ciclismo, onde teremos de enquadrar todos os escalões. Visão de quem não percebe nada do que se passa, apesar de achar que sim. Oco de substância. Venha para as trincheiras, ver o que se passa e o que se sofre e se faz pelos atletas. E não se comparem desportos de cariz completamente diferente, enganando, ainda que por negligência, o ouvinte.

Não se fazem “campeões” do Tour, ou da Volta ao Algarve, sem membros do staff preocupados, das escolinhas, aos profissionais.
Luís Gonçalves

2 comentários a “Alterem-se os regulamentos e reveja-se o comentário na Eurosport”

  1. Pode dizer, por favor, a que comentário se refere? Só para poder situar, porque independentemente de ter razão ou não, os comentadores de ciclismo podem ter direito à opinião (certa ou errada), julgo. E não me parece que os comentadores (a maior parte) do Eurosport sejam propriamente pessoas desprovidas de conhecimento ou de sensibilidade para determinados assuntos. Aliás, de paraquedistas têm muito pouco…

  2. Mas ainda é dos que dão crédito !às palavras dos paraquedistas do eurosport! mal vai o ciclismo se assim é.
    è óptimo ver ciclismo no eurosport mas sém ouvir as anedotas dos comentadores, os nosso olhos também sabem ver ciclismo,.

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