Um olhar sobre os regulamentos da FPC para 2020

Embora a aprovação de regulamentos da UVP/FPC para a época 2020 já tenha ocorrido há algum tempo, será um pouco nestes inícios de época que alguns se debruçam com alguma vontade de leitura sobre o assunto. A matéria é densa e chata, portanto, a vontade, para a esmagadora maioria nunca será muita, sendo normalmente surpreendidos com algumas questões já durante a época, não raras vezes nas corridas.

Também não é uma matéria muito perceptível e acessível. Para quem distinguir o que conforma cada regulamento será relativamente fácil ir buscá-lo ao local certo no novo site da UVP/FPC, mas para quase todos os utentes, estão bem menos acessíveis este ano.

Não falaremos da densidade dos regulamentos das equipas continentais, naturalmente muito inspirados no que nos chega da UCI, e que têm levado a lapsos jornalísticos, provocados ou não, nomeadamente em relação ao acesso ao passaporte biológico pelas equipas continentais portuguesas.

Nos outros regulamentos também não podemos expor aqui um seminário jurídico. Apenas um ou outro ponto, perceptível a todos, e que se considerou uma alteração interessante e de alguma utilidade na sua apreciação.

De uma forma simples, pegando no grosso do ciclismo que é a formação, deve dizer-se que esta época, nos CRI, fica também vedado aos Cadetes e Juvenis, para além das “cabras” e extensores que já o eram, o uso de capacete de CR e os sistemas de comunicação à distância, que serão os rádios. Mais igualdade de meios não pode existir.

Note-se que para um ciclista de uma equipa portuguesa participar na Volta a Portugal de Juniores, terá que fazer no mínimo duas provas da Taça de Portugal. Em Cadetes, terá de cumprir pelo menos uma. A medida tem a sua razão de ser, mas, também a sua injustiça. Sabe-se que com alguma frequência nos escalões de formação, sobretudo nos mais jovens, há ciclistas que começam a competir já bem no decurso da época, correndo esses, o risco, porque as provas de apuramento da Taça em Cadetes são no início, de ficar com participação vedada na Volta a Portugal do seu escalão. E, até pode ser esse atleta que daria à equipa o número mínimo de elementos para participação sem necessidade de junção a outra equipa.

Também nas Voltas, atletas estrangeiros em equipas portuguesas, são dois, no máximo, e desde que inscritos a até 30 de Junho de 2020.

Nos campeonatos nacionais surge-nos uma regra que já existiu. Para a atribuição do título, a necessidade de, por escalão, participarem no mínimo cinco atletas e terem classificação. Isto, na formação. Compare-se com os veteranos onde já chegámos aos setenta anos: terão de ter, no mínimo, três atletas. Ora, se nos escalões masculinos não se colocará muito a questão, talvez entre a juventude feminina, não fiquem muito felizes com a desiguldade. Uma jovem de dezasseis anos numa corrida onde alinharam oito participantes e terminaram quatro, não é, por título, campeã nacional, mas já pode ser uma senhora de cinquenta anos onde alinharam três e terminou apenas uma. É bom para motivar os jovens, numa modalidade que precisa de jovens.

Naturalmente que, neste contexto, quando olhamos para o regulamento financeiro, percebemos muita coisa. E por falar em regulamento financeiro, uma noção que abarca toda a comunidade de equipas. Aquele valor de apoio por Km, o mesmo há cem anos (0,22€), como se sabe é atribuído, em função do número de ciclistas na prova e das deslocações entre a sede do clube e local de partida ou chegada, distância agora definida e aplicável para 75 Km ou mais. Portanto, quem for da Maia a Paços de Ferreira ou de Alenquer a Torres Vedras, não gasta dinheiro na deslocação.

Ainda na questão financeira são agora bem mais públicos os valores atribuídos à formação (aos formadores) em cursos de comissários, treinadores, acções de formação contínua ou actualização. Públicos, e bem simpáticos.

Finalmente, escapou a alguns, uma alteração regulamentar do meio da época passada que nos diz que no regulamento de compensação pela formação, a informação da declaração de continuidade, para ter eficácia, tem de ser notificada por carta registada e aviso de recepção ao próprio, ou representante legal se for menor. Nesta regra, talvez não fosse pior balizar também este segundo acto, para além do período de envio da declaração de continuidade (até porque esta pode ser rejeitada pela UVP/FPC), mas com um tempo limitado. De outra forma, o que parece, é que desde que a apresentação da declaração esteja em conformidade com as datas indicadas no regulamento, a notificação da mesma pode ocorrer até que o atleta esteja inscrito pela equipa que apresentou declaração de continuidade (31 de Dezembro, de cada ano). Talvez tempo a mais.
Luís Gonçalves