Positivo, negativo e péssimo

Já há algum tempo, tempo de dois ou três anos talvez, porque o tempo passa depressa, foi aqui assinalado o renascimento do ciclocrosse em Portugal. Vertente que foi fulgurante até meados de noventa do século passado e que depois entrou em adormecimento profundo. Razões, várias. Talvez não seja alheio o facto de o crescimento do BTT ter coincidido com o definhamento do ciclocrosse. Mas também existiu uma certa desistência federativa.

Desistência essa que, teve reversão já no mandato da actual direcção da Federação. Já não é preciso ir à Galiza (para quem estava lá perto) fazer provas de ciclocrosse. Continua, porém, como também já foi assinalado, a existir pouco interesse das grandes figuras da modalidade. Sem desprezo pelos bons nomes do XCO que fizeram renascer o ciclocrosse em Portugal, certo é que para o impulso definitivo é de facto necessário maior envolvimento do ciclismo de estrada profissional. Por várias razões não sendo tarefa fácil, é uma boa missão Federativa. Talvez o impulso dado na pista (no início do velódromo) também funcione no ciclocrosse.

Vem aí a pista. Mas passando um pouco à frente é inevitável falar da Volta ao Algarve. Percurso definido, há bastante tempo, numa fórmula de sucesso semelhante ao de anos anteriores, trocando-se o CRI para o último dia. Definição atempada que atrai equipas e ciclistas. Jovens estrelas e consagrados vêem no Algarve, cada vez mais, uma boa preparação de época e uma vitória que já é apetitosa. Alex Zulle ganhou há vinte anos, mas a catapulta definitiva foi em 2004, com a presença de Lance Armstrong. Bem aproveitada, depois, embora com um percurso sinuoso, resgatado de forma certa ou errada, mas resgatado, levando a um caminho de sucesso linear.

Como saberão alguns, em tempos próximos, o site da UVP/FPC teve renovações. Como a qualquer novidade é preciso dar tempo de adaptação. Foi dado. Mas as opiniões recolhidas entretanto (e a própria) têm sido pouco favoráveis. Nada intuitivo, com ligações que prometem uma matéria e aparece outra ou nenhuma, teor informativo que deixou de existir. O pior que ouvi foi alguém que me disse “parece um daqueles blog’s antigos!”. A não ser que queiram uma imagem retro…

O limiar entre o que é certo e errado é cada vez mais difícil de definir. E quando as decisões são completamente impessoais pior ainda. As últimas decisões desta UCI têm sido impessoais, como nas outras direcções, mas também com uma leviandade apreciativa que gera alguma preocupação. Da organização do ciclismo à aplicação de sanções, quase cega, a ciclistas e, até, a comissários.

Capas extraordinárias homenagearam o nosso camarada de duas rodas Paulo Gonçalves. Segundo no Dakar, que para nós seria ser segundo no Tour, campeão do mundo, Troféu Fairplay no Dakar… Todos os jornais menos um: o Record, jornal que continua a prestar um óptimo serviço ao futebol (vejam a capa de que vos falo) mas um péssimo serviço ao desporto português. No ciclismo, pouco mais sabem que anunciar questões de doping, verdadeiras, falsas ou mal explicadas em parangonas que enganam o leitor. Por vezes lá emendam a mão do mal causado, mas, quanto a nós, já estamos habituados. Porém, uma figura de dimensão verdadeiramente desportiva como a de Paulo Gonçalves merecia muito mais. Vergonhoso!
Luís Gonçalves

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *